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TBT da Corrupção: Roberto Cidade, R$ 260 milhões do Governo do AM e o voto que ajudou a blindar Wilson Lima na Pandemia

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TBT da Corrupção: Roberto Cidade, R$ 260 milhões do Governo do AM e o voto que ajudou a blindar Wilson Lima na Pandemia

Amazonas – A conta da impunidade chegou, e ela tem data e valores atualizados. No último dia 14 de janeiro de 2026, o Ministério Público Federal (MPF) trouxe à tona novos documentos que expõem a real dimensão da tragédia sanitária no Amazonas, buscando bilhões em reparações. Mas para entender como o estado foi sangrado até a última gota de oxigênio, é preciso voltar no tempo e apontar os responsáveis por manter a caneta na mão de quem gerenciava o caos.

Vale ressaltar que diante da proporção da crise que o cenário tomou na época, tudo foi noticiado não apenas pela mídia amazonense quanto também pelos veículos de comunicação nacionais, que terão suas manchetes ilustradas neste TBT.

O pedido de Impeachment

No auge da primeira onda, quando o Amazonas já chorava milhares de mortos e escândalos de respiradores em lojas de vinho estouravam, a Assembleia Legislativa teve a chance de estancar a sangria. Um processo de impeachment, embasado por denúncias do Sindicato dos Médicos, chegou ao plenário em agosto de 2020.

O arquivamento

Foi nesse momento decisivo que o deputado Roberto Cidade, hoje presidente da Aleam, escolheu seu lado. Ele foi um dos 12 parlamentares que votaram pelo arquivamento do processo, blindando o governador Wilson Lima e o vice Carlos Almeida. Aquele voto permitiu que a gestão continuasse operando da mesma forma, pavimentando o caminho para o colapso do oxigênio que viria meses depois, em janeiro de 2021.

 

O Que Aconteceu (Fatos)

Os Autores: O pedido foi protocolado oficialmente pelo presidente do Simeam, Mário Vianna, e pela vice, Patrícia Sicchar, em maio de 2020.

A Acusação: Crime de responsabilidade e improbidade administrativa, focando no colapso da saúde e na má gestão de recursos (compra de respiradores em loja de vinhos).

O Rito: O então presidente da ALEAM, Josué Neto, aceitou o pedido. Uma Comissão Especial foi formada (com relatoria do deputado Dr. Gomes).

O Desfecho (Votação): No dia 6 de agosto de 2020, o plenário votou o relatório da comissão. Por 12 votos a 6 (e 5 abstenções), os deputados decidiram pelo arquivamento do processo, salvando o governador e o vice (Carlos Almeida).

Os 12 deputados estaduais que votaram a favor do arquivamento do processo (ou seja, votaram para “salvar” o governador Wilson Lima e o vice Carlos Almeida, acatando o relatório da comissão) foram:

Abdala Fraxe (Podemos)

Adjuto Afonso (PDT)

Alessandra Campêlo (MDB)

Augusto Ferraz (DEM)

Belarmino Lins (PP)

Cabo Maciel (PL)

Carlinhos Bessa (PV)

Dr. Gomes (PSC) — Ele foi o relator do processo.

Joana D’Arc (PL)

Roberto Cidade (PV)

Saullo Vianna (PTB)

Therezinha Ruiz (PSDB)

Como votaram os demais?

Votaram contra o arquivamento (A favor do Impeachment): Álvaro Campelo (PP), Delegado Péricles (PSL), Dermilson Chagas (Podemos), Josué Neto (PRTB), Serafim Corrêa (PSB) e Wilker Barreto (Podemos).

Abstenções: Fausto Júnior (PRTB), Felipe Souza (Patriota), João Luiz (Republicanos), Ricardo Nicolau (PSD) e Sinésio Campos (PT).

Ausência: Deputada Mayara Pinheiro (PP).

O preço da impunidade

A relação entre Cidade e Lima, no entanto, não foi feita apenas de flores, mas de interesses calculados. Em dezembro de 2020, Cidade articulou uma manobra relâmpago para assumir a presidência da ALEAM, derrotando o candidato do próprio governo. Na época, a base governista gritou “traição” até “golpe”, e a guerra foi declarada.

Mas a política amazonense tem preço. Pouco tempo depois, a bandeira branca foi hasteada. O “acordo de paz” restabeleceu a governabilidade para Wilson Lima e transformou Roberto Cidade em um super-aliado. O cimento dessa nova união? Contratos públicos.

A Explosão dos Valores Os números não mentem. Levantamentos mostram que, após a consolidação de Roberto Cidade no poder e sua realiança com o governador, os ganhos da Navegação Cidade Ltda — empresa registrada em nome do pai do deputado — explodiram.

Enquanto em 2020 a empresa faturava cerca de R$ 8 milhões, nos anos seguintes, já com a “paz” selada, os valores saltaram, em média, para a casa dos R$ 60 milhões anuais. Estima-se que, somando os anos de aliança, a família do presidente da Aleam já tenha recebido mais de R$ 260 milhões dos cofres estaduais.

A fidelidade política, no entanto, parece ter sido muito bem remunerada. Levantamento do CM7 Brasil aponta que empresas ligadas à família de Roberto Cidade — especialmente a Navegação Cidade Ltda, registrada em nome de seu pai — acumularam contratos milionários com o Governo do Amazonas.

Os valores impressionam: estima-se que o montante já ultrapasse a casa dos R$ 260 milhões recebidos dos cofres públicos estaduais. Enquanto a saúde colapsava por falta de recursos e gestão, os contratos de transporte e logística da família do deputado seguiam vigorosos e em plena expansão durante a gestão que ele ajudou a proteger.

Agora, em 2026, a ação do MPF reabre a ferida, mostrando que o número de vítimas foi maior do que o admitido e cobrando responsabilidade. Mas a responsabilidade não é apenas de quem executou a má gestão; é também de quem, tendo o dever constitucional de fiscalizar, optou por fechar os olhos e garantir a continuidade do governo em troca de alianças e contratos.

O “TBT” de hoje não é sobre saudade, é sobre memória. Roberto Cidade ajudou a segurar o escudo que protegeu Wilson Lima, e o preço dessa blindagem foi pago com dinheiro público e vidas amazonenses.

Tabelas, Docimentos e Demonstrativos:


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