Brasília Amapá Roraima Ceará Pará |
Manaus
36º
Web Stories Streamline Icon: https://streamlinehq.com CM7 Shorts
Brasília Amapá Roraima Ceará Pará CM7 Play

TBT da corrupção: Alessandra Campêlo fez de tudo para travar CPI da Saúde que iria investigar crimes na gestão de Wilson Lima na pandemia; veja vídeo

Compartilhe
TBT da corrupção: Alessandra Campêlo fez de tudo para travar CPI da Saúde que iria investigar crimes na gestão de Wilson Lima na pandemia; veja vídeo

Manaus – O ano de 2020 marcou um dos períodos mais sombrios da história recente do Amazonas. Enquanto a população enfrentava o colapso do sistema de saúde durante a pandemia de Covid-19, os bastidores da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) tornaram-se o palco de uma intensa guerra política. O objetivo de uma parcela dos parlamentares não era acelerar a compra de insumos, mas sim erguer um escudo institucional em torno do governador Wilson Lima, alvo de denúncias de desvios milionários, incluindo o infame superfaturamento na compra de respiradores em uma loja de vinhos.

Neste cenário, a deputada Alessandra Campêlo assumiu a linha de frente de uma verdadeira “tropa de choque” governista, orquestrando manobras regimentais, ataques à imprensa e investidas judiciais para barrar a instalação da CPI da Saúde. O esforço contínuo de blindagem, que começou com a tentativa de paralisar as investigações, culminou meses depois no arquivamento sumário do processo de impeachment contra o chefe do Executivo estadual.

A Guerra de Atrito e a Manobra no Tribunal de Justiça

A ofensiva para proteger o governo ganhou força em maio de 2020. Quando a CPI da Saúde foi proposta para investigar os contratos da Secretaria de Estado de Saúde, a reação da base aliada foi imediata. A deputada Alessandra Campêlo acionou o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) com um mandado de segurança, alegando que o então presidente da Aleam, Josué Neto, havia desrespeitado a proporcionalidade partidária ao instalar a comissão e nomear seus membros de forma “unilateral”.

A estratégia era clara: utilizar o rigor do Regimento Interno como um mecanismo político de atraso. O desembargador João Mauro Bessa atendeu ao pedido inicial e concedeu uma liminar suspendendo os trabalhos da CPI. Essa paralisação comprou um tempo precioso para o Executivo no ápice da crise. No entanto, a suposta preocupação da deputada com a legalidade dos ritos da Casa ruiu rapidamente durante os embates no plenário, quando contradições do seu próprio passado recente foram expostas.

O Embate Histórico: “O Mesmo Rito”

Durante a Sessão Ordinária do dia 19 de maio de 2020, o conflito escalou. Em seu tempo de fala, Campêlo tentou justificar a judicialização da CPI e aproveitou para atacar os veículos de comunicação que noticiavam sua manobra. Ela afirmou que sua ação não era para “melar” a investigação, culpando o “mau jornalismo” e insinuando que blogs críticos recebiam financiamento irregular da Casa.

A resposta de Josué Neto, no entanto, desmontou a narrativa de autoritarismo. O presidente da Aleam provou que o rito utilizado para formar a CPI da Saúde havia sido exatamente o mesmo validado por Campêlo no ano anterior, quando ela mesma presidiu a CPI dos Combustíveis.

O Diálogo no Plenário:

Alessandra Campêlo: “A Assembleia vem, há cerca de um mês, agindo sem respeitar a legislação estadual e federal […] Então, a minha ação não é para barrar a CPI ou para ‘melar’ a CPI, diferente do que o mau jornalismo publicou hoje. […] Eu apenas quero que cumpra-se o regimento, que cumpra-se a Constituição.”

Josué Neto: “A CPI que foi formada na última quinta-feira seguiu o mesmo modelo de formação da última CPI do Combustível, onde a eminente deputada e vice-presidente Alessandra Campêlo foi parte interessada […] e teve a eminente deputada como presidente. […] O presidente, no caso eu, agi de ofício e nós formamos a comissão.”

Neto detalhou ainda que a comissão respeitava todas as forças políticas, possuindo membros da oposição, independentes e da base governista (representada pelo deputado Saullo Vianna). Ficava evidente que a indignação regimental de Campêlo era seletiva e motivada pela necessidade de proteger o Executivo.

O “Puxadinho Jurídico” e a Derrota na Justiça

Percebendo que a liminar de Campêlo travaria os trabalhos indefinidamente, Josué Neto tomou uma decisão administrativa astuta: anulou de ofício a instalação original da CPI e publicou uma nova composição, sanando o problema alegado pela deputada. Com isso, o processo judicial perdeu o seu “objeto”, ou seja, o motivo da reclamação deixou de existir.

Desesperada para manter a comissão paralisada, Campêlo tentou fazer um aditamento (um acréscimo) no meio do processo judicial para que a mesma liminar barrasse também a segunda versão da CPI. Em 1º de junho de 2020, o desembargador João Mauro Bessa extinguiu o processo sem resolução de mérito e deu um duro recado jurídico à parlamentar. Ele deixou claro que o Mandado de Segurança não admite esse tipo de alteração oportunista, evidenciando que a deputada buscava esticar a paralisação a qualquer custo, independentemente do regimento.

O Foco em Wilson Lima e a Fuga de Omar Aziz

Mesmo com a retomada da CPI, presidida pelo Delegado Péricles e relatada por Fausto Junior, o cenário político continuou tenso. O texto que criou a comissão previa a investigação de contratos de 2011 a 2020, o que, na teoria, incluía a gestão do ex-governador Omar Aziz. No entanto, a condução dos trabalhos por parte da oposição focou quase inteiramente nas compras emergenciais de Wilson Lima.

Embora hoje Campêlo e Aziz sejam aliados próximos, a ausência do senador no relatório final da CPI estadual ocorreu por uma decisão tática da comissão: o foco foi mantido de forma estrita em Wilson Lima para que o inquérito não perdesse seu objeto central, mesmo com os deputados tendo realizado o levantamento dos gastos na saúde desde 2011.

Na época, comentou-se nos bastidores que o desfecho, que blindou as gestões passadas de responsabilizações diretas no relatório, foi motivo de comemoração entre Alessandra e seu chefe no senado, Omar Aziz. Contudo, essa escolha geraria um acerto de contas histórico em rede nacional no dia 29 de junho de 2021. Durante depoimento na CPI da Pandemia no Senado, o deputado Fausto Junior, relator da comissão amazonense, confrontou Omar Aziz de forma contundente. Diante dos demais senadores, Fausto apontou que Aziz também poderia ter sido indiciado no inquérito estadual e relembrou publicamente que o senador e sua família haviam sido alvos da Operação Maus Caminhos, sob a suspeita de desviarem R$ 260 milhões da saúde pública.

O Arquivamento do Impeachment

Apesar de o relatório final da CPI pedir o indiciamento de 50 pessoas, a blindagem arquitetada pela base governista atingiu seu clímax em agosto de 2020. O Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), categoria que mais sofreu com o colapso, havia protocolado um pedido de impeachment contra Wilson Lima por crime de responsabilidade. No dia 6 de agosto, por 12 votos a 6, o plenário da Aleam arquivou o processo.

Alessandra Campêlo votou a favor do arquivamento. Em seu discurso de justificativa, ela optou por desqualificar a denúncia dos médicos, reduzindo o colapso da saúde e as investigações da Polícia Federal a uma mera “disputa política” e eleitoreira de opositores invejosos. Veja na íntegra:

O Voto da Blindagem:

Alessandra Campêlo: “Não é o caso em tela deste processo que estamos julgando, que é um processo feito por denúncias revestidas de interesses de cunho político eleitorais […] O que existe hoje é um grupo no poder e um grupo fora do poder. O grupo que está fora do poder quer derrubar o governador para assumir o poder no lugar dele. Única e exclusivamente isso. […] Por isso eu voto a favor do relatório, contra o impeachment.”

Fidelidade Recompensada

A retórica técnica utilizada por Campêlo serviu apenas como verniz para esconder o que foi uma operação de salvamento. Ignorando as denúncias robustas da Polícia Federal e do Simeam, seu voto referendou a narrativa de que não havia provas contra o governo.

Essa lealdade incondicional durante o período de maior desgaste da gestão de Wilson Lima não passou despercebida. A parlamentar que paralisou investigações e minimizou escândalos milionários consolidou sua força junto ao Executivo, sendo recompensada posteriormente com o posto oficial de vice-líder do governo na Assembleia Legislativa e também secretária de Estado da Assistência Social. O TBT da CPI da Saúde deixa um registro claro: em 2020, a proteção ao poder falou mais alto do que a busca por respostas sobre o colapso no Amazonas.


Siga-nos no Google News Portal CM7

Banner Rodrigo Colchões Abaixo do Post


Ads - Artigo - Chiclet
Carregar mais