Tarcísio de Freitas critica omissão de Lula sobre a Venezuela: “Falhamos em liderar a transição”
Mundo – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), subiu o tom contra a política externa do Palácio do Planalto após a captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas. Em declarações recentes, o governador afirmou que o Brasil abdicou de seu papel histórico de mediador regional, permitindo que a crise no país vizinho fosse resolvida por uma intervenção externa drástica em vez de uma saída diplomática conduzida pelos vizinhos sul-americanos.
Omissão e Irrelevância Diplomática
Para Tarcísio, a maior economia da América do Sul deveria ter sido a protagonista no processo de redemocratização da Venezuela. Ele argumenta que a proximidade ideológica do governo Lula com o regime de Caracas impediu que o Brasil enxergasse a gravidade da situação.
“O Brasil falhou em liderar. Como líder natural da região, deveríamos ter construído uma ponte para uma transição democrática e segura. Em vez disso, fomos omissos e nos tornamos irrelevantes no desfecho dessa crise”, afirmou o governador.
Tarcísio destacou que, ao tratar Maduro como um aliado político e não como um líder autoritário, o governo brasileiro perdeu a oportunidade de negociar uma saída menos traumática, o que culminou na operação militar ordenada por Donald Trump no último dia 3 de janeiro.
Impacto Regional e Reconstrução Econômica
Além da crítica política, o governador de São Paulo apontou para o futuro. Segundo ele, o fim do ciclo chavista abre uma janela de oportunidade econômica que o Brasil não pode ignorar. Ele defende uma postura pragmática para que empresas brasileiras participem ativamente da reconstrução da infraestrutura venezuelana.
“A queda de um regime ditatorial é sempre algo a ser celebrado, mas agora precisamos focar na estabilidade. Uma Venezuela democrática e próspera é vital para a segurança e para a economia de todo o continente”, pontuou.
Contexto da Crise
A captura de Nicolás Maduro ocorreu em meio a uma incursão aérea e terrestre dos Estados Unidos em Caracas, uma ação que gerou divisões na comunidade internacional. Enquanto países aliados dos EUA apoiaram a medida como um “passo necessário contra a tirania”, o governo brasileiro e potências como China e Rússia questionaram a legalidade da intervenção sem o aval do Conselho de Segurança da ONU.
Com a prisão de Maduro, a Venezuela entra agora em um período de incerteza sob um governo de transição, enquanto o cenário político brasileiro se inflama com o debate sobre a influência e a responsabilidade de Brasília nos rumos da América Latina.


