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Superfaturamento de Respiradores na Pandemia não é ‘Fake News’: Wilson Lima responde a 5 acusações de crimes no STJ, diz Marcelo Ramos

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Superfaturamento de Respiradores na Pandemia não é ‘Fake News’: Wilson Lima responde a 5 acusações de crimes no STJ, diz Marcelo Ramos

Manaus – A tentativa do ex-governador e candidato ao Senado, Wilson Lima (União Brasil), de ressignificar um dos episódios mais controversos de sua gestão esbarrou nos autos de processos judiciais em tramitação. Após Lima publicar um vídeo classificando a compra de respiradores em uma loja de vinhos durante a pandemia como a “maior fake news do Amazonas”, o ex-deputado federal Marcelo Ramos veio a público nesta quarta-feira (19/8) rebater a declaração, ressaltando que o caso é real e que o candidato segue respondendo a cinco graves acusações no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A narrativa da “Fake News”

No vídeo divulgado nesta semana, Wilson Lima buscou minimizar o escândalo concentrando sua defesa no nome fantasia da fornecedora contratada pelo Estado. O ex-governador argumentou que a empresa FJAP estava autorizada a comercializar diversos tipos de produtos, incluindo itens médico-hospitalares, e que a alcunha de “loja de vinhos” se deveu apenas ao letreiro comercial “Vineria Adega”.

A Meia-Verdade (Por que a defesa “faz sentido” na superfície)</strong

A defesa de Lima foca no fato de que a empresa FJAP não vendia apenas vinhos. No papel (em seu Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ e registros de atividades), a empresa possuía autorização para atuar como importadora e comercializar diversos produtos, o que poderia incluir materiais médico-hospitalares.

Portanto, quando a oposição ou a imprensa reduzem a fornecedora a uma “loja de vinhos” (baseado no nome fantasia Vineria Adega), eles estão, de fato, fazendo uma simplificação política e irônica do caso. Ao provar que a empresa tinha outras atividades registradas, Wilson Lima ganha um argumento técnico para carimbar o termo “loja de vinhos” como impreciso ou “fake news”.

O Subterfúgio (Por que é uma manobra narrativa)

Apesar de ter razão sobre a multiplicidade de registros da empresa, a manobra é um subterfúgio porque desvia o foco do que realmente é criminoso no processo. Na lógica argumentativa, isso é conhecido como a Falácia do Espantalho: ele ataca o argumento mais fraco e folclórico (o nome da loja) para não precisar enfrentar as acusações centrais, que são graves e documentadas.

Aqui está o que a narrativa da “fake news” tenta esconder:

A Triangulação e o Sobrepreço: O problema não é de quem o Estado comprou, mas por quanto comprou. A investigação do MPF aponta que os respiradores custaram cerca de R$ 1 milhão para a primeira empresa (Sonoar), foram repassados para a Vineria Adega por R$ 2,4 milhões e vendidos ao Estado por R$ 2,97 milhões. O vídeo de Lima não explica esse salto de quase R$ 2 milhões.

Inadequação dos Equipamentos: A emergência da pandemia exigia compras rápidas, o que justifica a dispensa de licitação. Porém, o MPF e o STJ apontam que os equipamentos adquiridos não eram adequados para pacientes graves de UTI. Ou seja, pagou-se muito caro por algo que não resolvia o problema central da crise de Covid-19.

O Peso da Ação no STJ: O STJ não aceitou a denúncia por unanimidade porque o governador comprou em uma “adega”. A Corte aceitou porque encontrou indícios suficientes de cinco crimes gravíssimos: fraude à licitação, dispensa irregular, peculato (desvio de dinheiro público), organização criminosa e embaraço às investigações.

Durante a pandemia de Covid-19, a gestão de Wilson Lima adquiriu 28 respiradores superfaturados e inadequados para pacientes graves por R$ 2,97 milhões, comprados sem licitação de uma empresa cujo nome fantasia era Vineria Adega, o que o tornou réu no STJ por cinco crimes, incluindo peculato e fraude.

Para se defender publicamente, o candidato utiliza um subterfúgio narrativo ao focar sua justificativa exclusivamente no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) da fornecedora — alegando que a pecha de “loja de vinhos” é uma fake news, já que o estabelecimento possuía autorização legal para vender itens hospitalares. Essa explicação, no entanto, funciona apenas como uma cortina de fumaça retórica: ao travar uma guerra de narrativas sobre o nome da loja, ele desvia a atenção da gravidade das acusações reais, fugindo de explicar o salto injustificado de preços, a triangulação empresarial e o prejuízo milionário aos cofres públicos documentados pelas autoridades.

Apelando para o cenário de calamidade da época, Lima afirmou que o Amazonas enfrentava uma urgência sem precedentes: “Não havia uma UTI no interior, não havia uma usina de oxigênio no estado inteiro […] A nossa prioridade era salvar vidas”. O argumento, contudo, não toca no núcleo central da investigação do Ministério Público Federal (MPF).

A resposta de Marcelo Ramos: o foco são os crimes, não o vinho

O ex-deputado Marcelo Ramos utilizou suas redes sociais para desmontar a estratégia do adversário político. Segundo Ramos, comprar respiradores de uma empresa que também vende bebidas, isoladamente, poderia não ser o problema, mas a defesa tenta usar isso como “cortina de fumaça” para o que realmente pesa na Justiça.

“Pode até a imprensa, os portais, ficarem falando em compra de respirador em loja de vinho. Mas o que o processo fala é dispensa ilegal de licitação, fraude à licitação e elevação arbitrária de preços, crime de peculato, crime de organização criminosa e embaraço à investigação”, declarou Ramos. Ele reforçou que a denúncia do MPF evidencia a interferência direta e o sobrepreço no processo de aquisição.

Fatos documentados esvaziam discurso de boato

Diferente de um mero boato de internet, a aquisição dos equipamentos possui vasto lastro documental. Em 2020, o Governo do Amazonas pagou R$ 2,976 milhões por 28 ventiladores pulmonares. A investigação do MPF apontou uma clara triangulação para justificar o salto nos preços: a Sonoar Equipamentos teria comprado os aparelhos por cerca de R$ 1 milhão, vendido à FJAP (Vineria Adega) por R$ 2,4 milhões e esta, por fim, os revendeu ao Estado pelos R$ 2,97 milhões.

O prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa os R$ 2 milhões. Para agravar o quadro, o então relator do caso no STJ destacou que os aparelhos adquiridos sequer eram apropriados para o tratamento de pacientes em estado grave de Covid-19, contrariando o discurso de que a compra serviu para “salvar vidas” em UTIs.

O peso da Corte Especial do STJ

Em setembro de 2021, a Corte Especial do STJ avaliou o caso e, por unanimidade, aceitou a denúncia, tornando Wilson Lima e outras 12 pessoas réus na Ação Penal 993 (APn 993). A ação continua em pleno andamento e, em junho de 2026, foi redistribuída para a ministra Nancy Andrighi.

Embora o ex-governador tenha o direito constitucional à presunção de inocência até que haja uma condenação definitiva — e sua defesa continue negando qualquer irregularidade —, tratar o episódio como “fake news” ignora a materialidade de notas fiscais, o parecer técnico de inadequação dos aparelhos e a aceitação unânime da mais alta corte do país para que os cinco crimes imputados sejam devidamente julgados.


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