Sincericídio em Tefé: Omar Aziz celebra manobra de Alessandra Campelo que travou repasses para saúde no Amazonas

Amazonas – Na política amazonense, a coerência é um artigo de luxo que alguns parlamentares preferem não ostentar. O último espetáculo de cinismo protagonizado pelo senador Omar Aziz (PSD) e pela deputada estadual Alessandra Campêlo (Podemos) escancara o que a população já desconfiava: para a oposição, o projeto de poder para 2026 vale muito mais do que o bem-estar da poplação no Estado do Amazonas.
O que antes era tratado como mero “boato de corredor” na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) ganhou ares de confissão pública. Em um palanque em Tefé, o pré-candidato a governador Omar Aziz deixou escapar a verdade ao agradecer publicamente a deputada por barrar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do atual governo.
A Confissão em Praça Pública
A fala do senador não deixa margem para dúvidas. Ao celebrar a manobra que travou o uso de R$ 400 milhões do Fundo de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (FMPES), Omar não elogiou o rigor legislativo de sua aliada, mas sim a sabotagem à gestão de Roberto Cidade.
“Parabéns Alessandra, minha deputada querida, obrigado pela ajuda.,” disse o senador Omar Aziz, que é pré-candidato ao Governo.
A tradução literal desse agradecimento é indigesta e poderia se traduzida como ‘Obrigado por travar a máquina pública e prejudicar o atual governo em prol da minha campanha’. Ao tratar o parlamento como extensão do seu comitê eleitoral, o senador reduz o debate público a uma rinha partidária, onde quem perde é o cidadão.
A Memória Seletiva de Alessandra Campêlo
Se a fala de Omar beira a arrogância política, a postura de Alessandra Campêlo é o retrato perfeito da amnésia de conveniência. A deputada vestiu a capa de guardiã irredutível dos cofres públicos para questionar o regimento e travar a PEC antes do recesso de julho. No entanto, a internet e os registros da Aleam não perdoam.
Vamos aos fatos que a deputada prefere esquecer:
O “Não” de 2026: Alessandra lidera o bloqueio ao uso excepcional do FMPES para pagar médicos, regularizar atrasos na saúde e quitar débitos da administração estadual.
O “Sim” de 2019: Há poucos anos, a mesma deputada votou a favor de uma medida idêntica. Na época, ela não viu problema algum em autorizar o saque de R$ 300 milhões do mesmíssimo FMPES para custear despesas correntes e pagar o 13º salário dos servidores de outro governador.
A pergunta que ecoa é simples: o que mudou? A natureza do fundo ou a conveniência política de quem está no poder? Quando era para agradar aliados, o saque foi aprovado a jato. Agora, como o governador é adversário de seu padrinho político, a medida vira um “absurdo”.
O Preço do Jogo Sujo
Enquanto Omar e Alessandra trocam afagos e celebram o adiamento da votação para agosto, a fatura dessa manobra não vai para o gabinete deles. O governo estadual foi claro: o recurso é emergencial para oxigenar o sistema de saúde, pagar profissionais médicos e manter serviços básicos rodando.
Fazer política dificultando o pagamento da saúde pública não é estratégia, é covardia. Travar o Estado para construir um discurso eleitoral para 2026 mostra um descolamento brutal da realidade.
Em agosto, a PEC voltará ao plenário. Resta saber se Alessandra Campêlo continuará prestando “ajuda” aos interesses eleitorais de Omar Aziz ou se vai lembrar que seu salário é pago pelo mesmo contribuinte que hoje depende dos repasses travados pelo seu teatro regimental. A hipocrisia, afinal, pode até render aplausos no palanque em Tefé, mas custa muito caro na vida real.


