“Sextou com Carne de Ouro”: falta de fiscalização de Alessandra Campelo e Roberto Cidade contra Wilson Lima levanta dúvidas sobre atuação da ALEAM

Manaus – Na política do Amazonas, algumas imagens marcam época. A foto do episódio que ficou como “ostentação da Carne de Ouro”, protagonizada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado Roberto Cidade (UB), e pela deputada estadual Alessandra Campelo (Podemos), continua sendo um ponto de partida para analistas políticos debaterem a dinâmica entre o Legislativo e o Governo de Wilson Lima. Para críticos da atual gestão, o luxuoso jantar na Grécia ilustra uma proximidade que levanta dúvidas sobre a independência e o rigor da Aleam na fiscalização do Executivo.
A lógica discutida nos bastidores políticos aponta para uma questão central: até que ponto nomeações familiares e contratos estaduais influenciam a postura do parlamento?
O Banquete no Nusr-Et e o contraste social
Em pleno recesso parlamentar, enquanto o Amazonas enfrentava desafios crônicos na saúde pública e no mercado de trabalho, figuras centrais do Legislativo estadual foram registradas no Nusr-Et, um dos restaurantes mais exclusivos da Europa, conhecido pelos cortes de carne cobertos com folhas de ouro.

Além de Roberto Cidade e sua esposa, Thaísa Coelho, a imagem registrou a deputada Alessandra Campelo com seu companheiro, Alarico Justino Bisneto, e o casal Adriana Cidade e Vanderlei Alvino (o “Vandex”). Para a opinião pública, o episódio ultrapassou a esfera das férias particulares, gerando debates sobre a postura de agentes públicos diante da realidade de seus eleitores.
Nomeações no Diário Oficial e o debate sobre a máquina pública
A viagem trouxe à tona questionamentos mais profundos, embasados em publicações do Diário Oficial. A estrutura da Aleam tem sido alvo de escrutínio público devido à presença de familiares e aliados próximos de seu presidente em cargos estratégicos.

Vanderlei Alvino (Vandex): Cunhado de Roberto Cidade, consta com cargo de Direção no Centro de Cooperação Técnica e Operacional da Tecnologia da Informação (CCOTI) da Aleam, com vencimentos brutos na casa dos R$ 19 mil. Ex-presidente do IDAM, seu nome já figurou no noticiário policial após ser citado em relatórios da Polícia Federal durante investigações sobre supostas fraudes, cujas reuniões teriam ocorrido na residência de Adriana.
Alarico Justino Bisneto: Primo de Roberto Cidade e companheiro da deputada Alessandra Campelo. Ocupa o cargo de Secretário Executivo da Aleam, com remuneração superior a R$ 8 mil. Críticos frequentemente apontam para a necessidade de maior transparência sobre suas agendas e viagens pelo interior do estado no exercício da função.

Potencial conflito de interesses: os contratos com o Executivo
Se as nomeações internas já geram debate sobre a independência dos parlamentares, é a relação comercial externa que atrai os maiores questionamentos. Analistas apontam que a aparente falta de atrito entre a Aleam e o Governo Wilson Lima pode ter raízes em interesses corporativos.

Dados de portais de transparência revelam que empresas ligadas a familiares diretos de Roberto Cidade (incluindo pai, irmãos e sobrinho) firmaram contratos que, somados, ultrapassam R$ 268 milhões com o Governo do Estado durante a atual gestão. Destaca-se, neste montante, valores na casa dos R$ 69 milhões direcionados à RR Serviços de Transporte e Navegação Ltda, pertencente aos irmãos do presidente da Casa.

O custo político para o Amazonas
É com esse pano de fundo que o episódio da “carne de ouro” ganha relevância analítica. A Constituição atribui aos deputados estaduais o dever de fiscalizar o Executivo, auditar contratos e exigir eficiência na aplicação dos recursos públicos. No entanto, diante de expressivos contratos governamentais beneficiando o núcleo familiar do presidente da Assembleia, além do uso de cargos comissionados para abrigar pessoas próximas, a sociedade civil questiona: há isenção suficiente para cobrar o Governo?

O debate não se resume ao consumo de ouro na Grécia, mas sim à transparência institucional. Enquanto a cúpula do Legislativo desfruta de alto padrão e empresas ligadas a seus membros prosperam em contratos públicos, cabe ao cidadão amazonense avaliar se a conta da fiscalização precária está sendo paga com a qualidade dos serviços que lhes são entregues diariamente.








