Serafim Correa admite atraso no pagamento dos rodoviários em Manaus: “estaremos depositanto o valor até o fim do dia”; veja vídeo

Manaus – O Governo do Amazonas anunciou que depositará R$ 18 milhões ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) nas próximas 24 horas. O valor, segundo o vice-governador Tadeu de Souza, corresponde ao que o Estado considera devido pelo transporte dos estudantes da rede estadual entre fevereiro e julho de 2026.
A declaração foi feita durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (21), em resposta às acusações de falta de pagamento e à crise que atingiu o sistema de ônibus de Manaus. Serafim, que está no exercício do cargo de vice-governador, afirmou que a administração estadual não está sem comando.
“O Governo do Estado, em primeiro lugar, não está acéfalo. Eu sou o vice-governador no exercício do cargo e, como tal, venho administrando todas as situações”, declarou.
Estado e Sinetram divergem sobre o valor da passagem
O principal impasse está no valor utilizado para calcular o transporte dos estudantes. Conforme Serafim, uma decisão judicial estabeleceu que o Governo do Amazonas deve pagar R$ 2,50 por passagem, correspondente à meia-tarifa.
O Sinetram, porém, sustenta que a compensação deve considerar a tarifa técnica, próxima de R$ 8. Essa diferença está no centro da cobrança de aproximadamente R$ 90 milhões apresentada pelas empresas.
“A decisão judicial disse que não é a tarifa técnica de R$ 8. É a tarifa de R$ 2,50, que nós queremos pagar”, afirmou o vice-governador.
Segundo ele, a Secretaria de Estado de Educação tenta, desde maio, chegar a um entendimento com o sindicato patronal para efetuar os pagamentos. O Governo afirma que o Sinetram não teria se habilitado para receber pelo valor definido judicialmente.
O sindicato das empresas, em manifestação anterior, apresentou uma versão diferente e afirmou que os embarques foram realizados sem o pagamento integral dos custos operacionais.
R$ 3 milhões por mês
O cálculo estadual considera seis parcelas de R$ 3 milhões, referentes aos meses de fevereiro, março, abril, maio, junho e julho.
“O que é responsabilidade do Estado está definido numa decisão judicial, que é pagar R$ 3 milhões a cada mês. São seis meses, dá R$ 18 milhões”, explicou Serafim.
O vice-governador afirmou que a Secretaria de Educação e a Secretaria de Fazenda foram autorizadas a realizar o depósito diretamente na conta do Sinetram, mesmo sem concordância da entidade sobre o montante.
“Nós vamos depositar esse valor na conta do Sinetram, eles querendo ou não, e consideramos que, com isso, damos a nossa contribuição para a solução do problema”, disse.
Ao final da coletiva, Serafim reforçou que o Governo do Amazonas pretende concluir o repasse ainda nesta terça-feira (21).
“Nós vamos efetuar o depósito na conta do Sinetram nas próximas 24 horas, independentemente de eles quererem ou não”, afirmou.
Segundo o vice-governador, a previsão é que os R$ 18 milhões sejam pagos até o fim do dia, encerrando, na avaliação do Estado, a pendência referente ao transporte dos estudantes da rede estadual entre fevereiro e julho.
Convênio com Prefeitura terminou em 2025
Durante a coletiva, Serafim informou que o convênio que envolvia Governo do Amazonas e Prefeitura de Manaus no pagamento do passe estudantil foi encerrado em 2025.
Por isso, segundo ele, não houve repasses do Estado ao Município em 2026 relacionados ao benefício. A relação financeira teria passado a ocorrer diretamente entre Governo e Sinetram.
“Em 2026, o que tem que ser pago é uma relação direta entre Governo do Estado e Sinetram. Não há mais relação entre Governo do Estado e Prefeitura de Manaus”, afirmou.
Em 2025, a própria Prefeitura informou que o convênio havia sido firmado em 2021 e que passou a cobrar judicialmente a retomada da participação estadual no custeio do benefício.
Governo nega ter provocado a greve
Serafim também rejeitou a acusação de que a paralisação dos rodoviários tenha sido causada pela pendência relacionada ao passe estudantil.
“A greve de ontem não tem a ver com esse pagamento”, declarou.
Segundo o vice-governador, o movimento teria relação com outro débito discutido em ação trabalhista. O TRT-11 declarou a greve abusiva e determinou a operação de 80% da frota nos horários de pico e 50% nos demais períodos, sob multa de R$ 120 mil por hora de descumprimento.
Serafim rebate críticas da Prefeitura
Questionado sobre as declarações do prefeito Renato Júnior, que acusou o Governo de não cumprir sua responsabilidade com os alunos estaduais, o vice-governador afirmou que o Executivo recebe os prefeitos que procuram diálogo institucional.
“O Governo não foge de nenhum prefeito. Ao contrário: todos os prefeitos que nos procuram são recebidos com carinho, com urbanidade e com respeito”, respondeu.
Serafim reforçou que o Estado não pretende pagar valores acima do estabelecido na decisão judicial.
“Como nós temos responsabilidade com o dinheiro público, não vamos pagar uma coisa que não corresponde à efetiva prestação do serviço”, afirmou.
Governo cita suposta dívida municipal de R$ 190 milhões
Na parte final da coletiva, o vice-governador afirmou que documentos apresentados à Justiça do Trabalho mencionariam uma dívida de R$ 190 milhões da Prefeitura de Manaus com as empresas de ônibus.
Segundo Serafim, o valor seria reconhecido tanto pelo Sinetram quanto pelo sindicato dos rodoviários na ação relacionada à greve. Esse montante, entretanto, não foi confirmado de forma independente no material apresentado e deverá ser confrontado com os documentos oficiais e com a versão do Município.
A Prefeitura sustenta que está em dia com suas obrigações e afirma que os repasses destinados aos estudantes municipais e ao subsídio do sistema foram realizados regularmente.
Com o anúncio dos R$ 18 milhões, o Governo considera encerrada sua pendência referente ao período de fevereiro a julho. A divergência sobre a tarifa de R$ 2,50 ou o custo técnico próximo de R$ 8, porém, ainda permanece como ponto central do conflito entre Estado e empresas, trazendo à tona a culpa de um débito existente, de fato, que apenas diverge, segundo Serafim, do valor de 90 milhões.


