Segurança pública, combate ao tráfico e corrupção vão ser os principais temas de debate nas eleições 2026
Mundo – Com apenas alguns meses para o início oficial da campanha, o cenário político brasileiro já indica que 2026 será marcado por uma disputa intensa em torno de temas que tocam diretamente na percepção de segurança e estabilidade da população. A segurança pública, o combate ao tráfico de drogas e a corrupção emergem como os eixos centrais do debate eleitoral, impulsionados por eventos recentes de grande impacto nacional e regional.
Pesquisas recentes, como a Genial/Quaest divulgada no final de 2025, colocam a violência como a principal preocupação de 38% dos brasileiros — superando a economia (15%) e outros assuntos tradicionais. Esse dado reflete um clamor popular crescente, agravado pela megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, em outubro de 2025. Considerada a ação policial mais letal da história do estado, a operação resultou em 21 mortos (incluindo 4 policiais e 117 traficantes), com apreensão de 118 armas, das quais 91 fuzis. Apesar das controvérsias sobre letalidade e direitos humanos, o episódio demonstrou que integração entre forças, inteligência e determinação podem desarticular estruturas criminosas poderosas, como o Comando Vermelho, ainda que a um custo humano elevado.
No plano geopolítico, a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em 3 de janeiro de 2026, elevou o debate a outro patamar. A operação “Resolução Absoluta” (ou “Absolute Resolve”), executada por forças especiais americanas (incluindo Delta Force), resultou na prisão do presidente venezuelano e de sua esposa Cilia Flores em Caracas, com transferência para Nova York, onde enfrentam acusações de narcoterrorismo, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e posse ilegal de armas. A ação, assistida em tempo real pelo presidente Donald Trump, marcou uma intervenção militar direta justificada por mandados judiciais dos EUA — um precedente que desafia a soberania estatal e expõe a ligação entre regimes autoritários e o crime organizado transnacional.
Para o Brasil, vizinho direto da Venezuela, o impacto é imediato: o vácuo de poder pode intensificar fluxos de drogas e armas pela Amazônia e Roraima, ampliando rotas do narcotráfico e fortalecendo facções como o CV e o PCC. O governo Lula condenou a intervenção como “agressão”, articulando respostas na ONU, mas o episódio reforça a narrativa de que o combate ao crime exige respostas firmes, integradas e sem hesitação — exatamente o que candidatos de centro-direita e direita pretendem explorar.
Nesse contexto, governadores com resultados concretos despontam como referências. Ronaldo Caiado (Goiás) transforma sua gestão em modelo nacional: quedas expressivas nos índices de homicídios (de patamares acima de 39/100 mil em 2018 para níveis bem abaixo da média brasileira), investimentos em inteligência, valorização policial e autonomia estadual no combate ao crime organizado. Sua aprovação em segurança pública chega a 74% em pesquisas recentes, e ele critica propostas federais como a PEC da Segurança por centralizarem poder, defendendo que estados com “mão pesada” e foco em resultados entregam tranquilidade real.
Outros nomes, como Tarcísio de Freitas (São Paulo) e potenciais candidatos da direita, alinharão discursos semelhantes, repetindo a estratégia de 2018, mas agora com exemplos palpáveis: operações de grande escala no Rio, intervenção transnacional na Venezuela e modelos estaduais bem-sucedidos. A combinação desses fatores transforma a segurança pública em questão existencial — não mais apenas local, mas ligada ao narcoterrorismo global e à corrupção que financia o crime.
Em 2026, o eleitorado brasileiro terá a oportunidade de escolher entre visões que priorizam prevenção e direitos humanos versus determinação implacável contra facções, tráfico e corrupção sistêmica. Com o tema no topo das preocupações, os candidatos que apresentarem propostas concretas, resultados mensuráveis e postura firme terão clara vantagem. O Brasil pode estar diante de uma virada histórica: onde o medo cede espaço à confiança, e a segurança se torna prioridade absoluta para o futuro do país.


