Secretário da SES-AM admite atraso de salários e promete liberação de R$ 17 milhões para quitar dívida com funcionários da Saúde

Manaus – Em meio a um cenário de insatisfação e graves denúncias de descaso, o secretário de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), Luis Alberto Saraiva Santos, veio a público nesta quinta-feira (11) para tentar apaziguar a crise que asfixia os profissionais da linha de frente do estado. O titular da pasta admitiu os problemas nos repasses governamentais e anunciou a liberação de pouco mais de R$ 17 milhões para o pagamento de empresas médicas, prometendo ainda uma nova parcela de cerca de R$ 16 milhões para o início da próxima semana.
A medida, no entanto, soa como um alívio tardio para uma categoria que vem operando no limite de suas capacidades. Profissionais de diversas áreas e empresas terceirizadas relatam que a SES-AM acumula atrasos que chegam a estarrecedores oito meses. Durante todo esse período, quem manteve a máquina pública da saúde funcionando foram os próprios trabalhadores, que continuaram a bater ponto e a salvar vidas sem a garantia do próprio sustento.
O “Custo” da Saúde nas Costas do Trabalhador
Em seu pronunciamento, o secretário utilizou uma frase que expõe a dura realidade do setor: “Saúde não tem preço, mas tem custo”. O problema é que, nos últimos meses, o custo dessa estrutura deficitária tem sido pago, de forma injusta, pela exaustão e pelo bolso dos servidores.
Tentando demonstrar comprometimento, Saraiva Santos garantiu que a regularização financeira é a prioridade de sua gestão e fez questão de englobar toda a cadeia de trabalhadores. Segundo ele, o foco é o “pagamento não só dos médicos, mas de todo e qualquer profissional da área de saúde. Se a gente tá falando do porteiro, a gente tá falando de material de enfermagem, técnico de enfermagem, fisioterapeuta… tudo o que faz rodar pra que um paciente seja atendido”.
Diálogo Perdido e o Futuro da SES-AM
Para justificar o acúmulo da dívida, o secretário apontou para uma quebra nas relações institucionais em momentos passados. “A gente vai de forma muito responsável, com muito diálogo, sempre com todas as empresas que eu acho que em um dado momento esse diálogo foi perdido”, argumentou.
Contudo, a retomada do diálogo, embora essencial, não apaga os meses de negligência e a insegurança jurídica e financeira imposta às empresas prestadoras de serviço e aos profissionais. A injeção somada de mais de R$ 33 milhões, entre a parcela de hoje e a da próxima semana, é o mínimo esperado de uma gestão pública responsável, mas levanta o inevitável questionamento crítico: “como o Estado permitiu que a dívida com a saúde chegasse a esse nível crítico antes de agir?”, questionanam analistas.
A promessa está feita e os recursos, segundo a Secretaria, esbarram apenas nos horários e trâmites bancários para caírem nas contas. Resta agora à sociedade amazonense e, sobretudo, aos esgotados trabalhadores da saúde, fiscalizar se o discurso de priorização se tornará uma política permanente ou se será apenas mais um curativo temporário na profunda ferida administrativa da SES-AM.








