Secretária de liderança da ALEAM e amiga de Paula Litaiff: Adriana Lima é presa após transações milionárias para o CV em Manaus; veja vídeo
Manaus – A Polícia Civil do Amazonas prendeu nesta sexta-feira (20/2) Adriana Almeida Lima, ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), apontada por relatórios de inteligência financeira como peça-chave em um esquema de transações milionárias ligado ao Comando Vermelho (CV), que investiga lavagem de dinheiro do tráfico no Poder Público.
A prisão da ex-servidora chama a atenção não apenas pela gravidade das acusações de infiltração do crime organizado no Poder Legislativo, mas também por sua proximidade e relação de amizade com a jornalista Paula Litaiff. Promovida com frequência pela Revista Cenarium, dirigida por Litaiff, Adriana usava uma roupagem de prestígio acadêmico e social enquanto, segundo as investigações da operação Erga Omnes, operava financeiramente no esquema para a facção.
A relação com Paula Litaiff e a “camuflagem social”
O elo entre Adriana Almeida Lima e Paula Litaiff ganhou destaque público em diversas ocasiões, conferindo à ex-secretária da ALEAM uma imagem de especialista respeitada. Doutora e mestre em Direito e Gestão Ambiental pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Adriana chegou a participar de um episódio do Podcast Cenarium gravado durante a COP30, em Belém, em novembro de 2025.
Na ocasião, em conversa direta com Litaiff, a investigada defendeu o protagonismo dos povos amazônicos no mercado de carbono. Para a polícia, essa forte exposição midiática e o trânsito livre em eventos de alto nível funcionavam como uma sofisticada “camuflagem social”, mascarando suas reais atividades e facilitando a influência do grupo criminoso em importantes esferas de poder do estado.


A Operação Erga Omnes e o esquema milionário
O desmantelamento dessa rede faz parte da Operação “Erga Omnes”, coordenada pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP). No centro do esquema está Allan Kleber Bezerra Lima, apontado como líder do Comando Vermelho no Amazonas. Segundo as apurações, a organização criminosa movimentou mais de R$ 73 milhões entre 2018 e 2025. O dinheiro, oriundo do tráfico internacional de drogas, era lavado por meio de empresas de fachada focadas nos setores de transporte e logística.
A queda da organização começou a se desenhar de forma contundente em agosto de 2025, após uma ação no centro de Manaus. Na ocasião, policiais flagraram criminosos transferindo uma grande carga de entorpecentes de duas lanchas para um veículo utilitário. A ação resultou na apreensão de 523 tabletes de skunk e sete fuzis de uso restrito, além da prisão de um dos operadores logísticos do grupo.
Disfarce religioso e audácia criminosa
A audácia de Allan Kleber envolvia até mesmo o uso da religião para despistar as autoridades. As investigações revelaram que o líder da facção utilizava uma igreja evangélica no bairro Zumbi, zona Leste de Manaus, como esconderijo logístico e refúgio contra ações policiais. Ele frequentava o local disfarçado de fiel e escondia drogas no interior do templo, enquanto se vangloriava, em mensagens interceptadas, de que “pagava todo mundo” e não temia ser preso devido à sua ampla rede de proteção institucional.
A profunda infiltração no poder público
O caso de Adriana Almeida Lima escancara um nível profundo de infiltração do crime organizado na administração pública do Amazonas. Além da ex-chefe de gabinete da ALEAM, a polícia identificou o envolvimento de outros agentes públicos estratégicos.
Entre os investigados está Anabela Cardoso Freitas, suspeita de transacionar cerca de R$ 1,5 milhão em favor da facção. O esquema também contava com a suposta participação de Izaldir Moreno Barros, servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) acusado de vazar informações sigilosas de processos, e do policial militar Osimar Vieira Nascimento, que daria suporte às atividades do núcleo político investigado.
Diante da gravidade das provas, a Justiça deferiu mandados de prisão preventiva, quebra de sigilo bancário e fiscal, além do sequestro de bens dos investigados para tentar garantir o ressarcimento ao Estado. Enquanto Adriana Almeida e outros alvos já se encontram detidos, a polícia segue nas buscas por Allan Kleber, que conseguiu escapar de um cerco policial em São Paulo e permanece foragido.




