Ricardo Lewandowski pede demissão a Lula e se despede do Ministério da Justiça
Brasil – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, oficializou nesta quinta-feira sua saída do cargo ao entregar pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma carta de demissão. A entrega aconteceu horas antes da cerimônia em comemoração aos três anos dos atos de 8 de janeiro de 2023, que marcaram tentativas de golpe contra as instituições democráticas.
Lewandowski, que assumiu a pasta em fevereiro de 2024 após se aposentar do Supremo Tribunal Federal (STF), deixa o governo em um momento crítico para a agenda de segurança pública. Sua gestão foi marcada por esforços para modernizar a Polícia Federal, integrar ações de inteligência entre forças de segurança e avançar propostas como a PEC da Segurança Pública, que visa maior coordenação federal no combate ao crime organizado. No entanto, a proposta ainda tramita no Congresso sem aprovação definitiva, o que fontes próximas ao ministro citam como um dos fatores de frustração.
A exoneração deve ser publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (9), encerrando oficialmente quase dois anos de mandato. Vinculadas ao ministério estão instituições chave como a Polícia Federal (PF), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Força Nacional de Segurança Pública, frequentemente acionada em operações de reforço em estados enfrentando crises de violência.
A saída de Lewandowski não pegou o Planalto de surpresa: rumores sobre sua intenção de deixar o cargo circulavam desde o fim de 2025, motivados por cansaço pessoal e divergências internas sobre o futuro da pasta. Uma das principais discussões no governo envolve a possível recriação do Ministério da Segurança Pública separado da Justiça — modelo adotado durante o governo Michel Temer —, o que reduziria o escopo da atual estrutura. Lula já sinalizou apoio à ideia, condicionada à aprovação da PEC, mas aliados pressionam por uma divisão imediata para dar mais visibilidade ao tema, considerado um dos pontos fracos da gestão petista às vésperas das eleições de 2026.
Até o momento, o presidente não anunciou um substituto. Nos bastidores, nomes como o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues — elogiado por operações de alto impacto —, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e o jurista Wellington César Lima e Silva circulam como possíveis indicados. Outros cotados incluem figuras com perfil mais político, capazes de articular no Congresso e enfrentar o debate acirrado sobre violência urbana e facções criminosas.
A transição ocorre em um contexto de escalada da criminalidade organizada no Brasil e na América Latina, com disputas entre facções gerando episódios de violência extrema em diversos estados. Analistas apontam que o novo comandante da pasta terá o desafio de imprimir um perfil mais “combativo” à agenda de segurança, sem descuidar das pontes institucionais com o Judiciário — uma marca da gestão Lewandowski, ex-ministro do STF.


