Brasília Amapá Roraima Pará |
Manaus
Web Stories STORIES
Brasília Amapá Roraima Pará

“Projeto DV”: Master fez proposta milionária para que ‘influencers da direita’ atacassem liquidação feita pelo Banco Central

Compartilhe
“Projeto DV”: Master fez proposta milionária para que ‘influencers da direita’ atacassem liquidação feita pelo Banco Central

Mundo – Uma operação de gerenciamento de crise batizada de “Projeto DV” — referência às iniciais de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master — ofereceu remunerações descritas como “milionárias” a influenciadores digitais alinhados à direita para que produzissem conteúdos questionando a liquidação extrajudicial da instituição financeira decretada pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025.

A revelação partiu de dois influenciadores que rejeitaram a proposta: o vereador Rony Gabriel (PL-Erechim/RS), com 1,4 milhão de seguidores, e a jornalista Juliana Moreira Leite (@jliemilk), também com ampla audiência nas redes. Eles expuseram contatos feitos por agências especializadas em marketing de influência conservadora, que enviaram exemplos de vídeos já produzidos por outros criadores de conteúdo seguindo a mesma narrativa.


A abordagem e o conteúdo desejado

Segundo os relatos, a proposta chegava via mensagens diretas no Instagram ou WhatsApp, apresentando o trabalho como parte de um “gerenciamento de crise para um executivo grande” em meio a uma “disputa política contra o sistema”, envolvendo “esquerda e centrão”.

O objetivo era claro: disseminar vídeos que ecoassem um despacho do Tribunal de Contas da União (TCU) de dezembro de 2025, apontando supostos “indícios de precipitação” na decisão do BC. A narrativa sugerida incluía argumentos como:

– O Master teria sido liquidado por crescer rapidamente e “incomodar” grandes bancos;
– A liquidação permitiria que concorrentes comprassem ativos “baratos”;
– Haveria alternativas menos drásticas à medida extrema adotada pelo BC.

Para avançar, era exigida a assinatura de um contrato de confidencialidade, com multa de até R$ 800 mil em caso de vazamento. Rony Gabriel chegou a assinar o documento por meio de seu assessor, mas recusou após entender o escopo.

Exemplos de vídeos já circulando

Entre os materiais enviados como “modelo” estavam postagens de influenciadores como Paulo Cardoso (@cardosomundo, 4,3 milhões de seguidores), que em vídeo de 18 de dezembro exibiu a manchete do Metrópoles e declarou: “Quando um banco cresce rápido demais, ele tira cliente, espaço e lucro de muita gente grande e isso incomoda demais”. Cardoso questionou a pressa na liquidação e sugeriu que ela beneficiaria “gente grande” comprando ativos baratos.

Outro exemplo citado foi o da influenciadora Carol Dias, autora do livro “Rumo à riqueza”, que em postagem de 28 de dezembro destacou o contraste entre a rapidez da liquidação e a demora do BC em responder ao TCU.

Paulo Cardoso negou qualquer contrato pago, afirmando que seus conteúdos sobre atualidades baseiam-se apenas em notícias públicas. Outros influenciadores mencionados em exemplos negaram vínculos formais com o projeto.

 

View this post on Instagram

 

A post shared by Paulo Cardoso (@cardosomundo)

As agências envolvidas e as negativas

Os contatos partiram da UNLTD Brasil (via André Salvador) e do Portal Group Br (via Junior Favoreto). Ambas as agências negaram contrato direto com o Banco Master: a UNLTD disse não ter vínculo com a instituição, enquanto o Portal Group afirmou ter sido contratado apenas para indicar perfis, sem obrigações contratuais com os influenciadores.

Procurados, o Banco Master e Daniel Vorcaro não responderam aos pedidos de manifestação até o momento. O espaço permanece aberto.

Contexto da liquidação e desdobramentos

A liquidação do Master ocorreu após investigações da PF revelarem fraudes bilionárias em carteiras de crédito vendidas ao BRB. O BC justificou a medida por “crise aguda de liquidez” e graves violações normativas. O caso ganhou repercussão política, com inspeção em curso no TCU para analisar documentos do BC — embora ministros da corte considerem improvável qualquer reversão da decisão.

O episódio expõe táticas de influência digital em crises financeiras e regulatórias, levantando questões sobre transparência em campanhas pagas nas redes sociais. Enquanto alguns influenciadores rejeitaram a proposta por princípios, outros conteúdos alinhados à narrativa continuam circulando, alimentando o debate sobre a atuação do Banco Central.


Siga-nos no Google News Portal CM7

Banner Rodrigo Colchões

Banner 1 - Portal CM7


Carregar mais