PF admite que Bolsonaro precisa de monitoramento clínico diário na prisão para evitar possível ‘morte súbita’
Brasil – A perícia médica realizada pela Polícia Federal e encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) reconhece que o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente cumprindo pena na Sala de Estado Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal — conhecida como Papudinha —, necessita de monitoramento clínico diário rigoroso para evitar complicações graves, incluindo o risco de morte súbita.
O laudo, elaborado por peritos médicos da corporação e tornado público na sexta-feira (6) por decisão do ministro Alexandre de Moraes, conclui que as múltiplas comorbidades apresentadas pelo ex-presidente — entre elas apneia obstrutiva do sono grave, hipertensão arterial, doença aterosclerótica, insuficiência renal limítrofe, anemia ferropriva, esofagite erosiva, soluços incoercíveis e sequelas de cirurgias abdominais — estão, no momento, sob controle clínico e não justificam, por ora, transferência para regime hospitalar ou cuidados em nível de internação.
No entanto, o documento é enfático ao destacar a necessidade de medidas preventivas e assistenciais contínuas para mitigar riscos elevados. Entre as recomendações estão:
- Monitoramento clínico diário;
- Controle rigoroso da pressão arterial;
- Hidratação adequada e alimentação fracionada;
- Administração regular e pontual de múltiplos medicamentos;
- Acesso rápido a exames laboratoriais e de imagem;
- Possibilidade de atendimento médico imediato em caso de intercorrências;
- Uso contínuo e adequado do aparelho CPAP para tratamento da apneia do sono.
Um dos trechos mais alarmantes do laudo responde diretamente a quesito formulado pela defesa: “A não observância das medidas médicas descritas pode acarretar risco de complicações graves como pneumonia aspirativa, insuficiência respiratória, AVC, insuficiência renal, quedas com traumatismo craniano, ou morte súbita?”
A resposta dos peritos é clara: Sim.
Os especialistas também apontam sinais e sintomas neurológicos que aumentam o potencial de novos episódios de queda — como o ocorrido recentemente —, demandando investigação diagnóstica complementar. A interrupção ou uso irregular do CPAP, por exemplo, é descrita como fator que “eleva significativamente o risco de morte súbita, AVC e deterioração cognitiva”.
Apesar dessas ressalvas, a perícia conclui que Bolsonaro apresenta condições de permanecer na unidade prisional especial, desde que haja otimização dos cuidados de saúde e adaptações no ambiente para reduzir riscos de acidentes e descompensações. O documento ressalta que o quadro clínico geral é estável, mas frágil, e que a ausência de acompanhamento multidisciplinar adequado pode levar a descompensação súbita com “risco concreto de morte”.O ministro Alexandre de Moraes remeteu o laudo à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação e abriu prazo para que a defesa se manifeste.
A análise servirá de base para decisão sobre o novo pedido de prisão domiciliar apresentado pelos advogados de Bolsonaro, que alegam piora recente do quadro — com episódios de vômitos e soluços intensos — e argumentam que o ambiente da Papudinha não garante a estrutura de saúde necessária.Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão em regime fechado, decorrente da condenação por participação em trama golpista.
A defesa classifica o risco de morte como “previsível e concreto” sem cuidados domiciliares complexos e contínuos, enquanto o laudo da PF reforça a exigência de vigilância médica diária como condição para evitar desfechos fatais na atual estrutura prisional.O caso segue em análise no STF, com expectativa de posicionamento do relator nos próximos dias.


