“Pedido não é decisão”: Garotinho minimiza ação na Justiça e garante que disputará o governo do RJ; veja vídeo
Brasil – A corrida pelo Palácio Guanabara ganhou mais um capítulo de embate jurídico e político nesta semana. De um lado, a Justiça do Rio de Janeiro determinou a notificação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a suspensão dos direitos políticos do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), decorrente de uma condenação por improbidade administrativa. Do outro, o candidato realizou uma transmissão ao vivo para tranquilizar seus eleitores, minimizando a decisão judicial e disparando contra seus principais adversários na disputa eleitoral.
Veja vídeo na íntegra:
O cerne da disputa: a data do “trânsito em julgado”
A decisão que movimentou o cenário político foi proferida pelo juiz Ricardo Cyfer, da 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital. O magistrado determinou que os órgãos eleitorais fossem informados de que o processo contra Garotinho — referente a irregularidades no programa *Saúde em Movimento* nos anos de 2005 e 2006, durante o governo de sua esposa, Rosinha Matheus — esgotou seus recursos (trânsito em julgado) e está apto para o cumprimento das sanções, que incluem a suspensão dos direitos políticos por oito anos.
A grande controvérsia jurídica, no entanto, reside na contagem de tempo dessa suspensão:
O que diz o Tribunal de Justiça: O sistema do Judiciário aponta que o esgotamento definitivo dos recursos ocorreu em datas recentes (maio e julho de 2025), após o STF negar recursos da defesa por considerá-los fora do prazo.
O que alega a Defesa: O advogado Admar Gonzaga sustenta que, como os últimos recursos não foram sequer admitidos (por intempestividade), o marco legal para o início da punição deve retroagir à decisão de 2018. Se essa tese prevalecer, o prazo de oito anos de suspensão já teria se encerrado no início de agosto de 2026, deixando Garotinho elegível para o pleito atual.
A reação de Garotinho: “Pedido não é decisão”
Horas após a repercussão do caso, o ex-governador utilizou suas redes sociais para fazer um contundente controle de danos. Em um discurso de forte tom antissistema, Garotinho fez questão de diferenciar a esfera cível da eleitoral, destacando que a palavra final sobre sua candidatura não cabe ao juiz da Fazenda Pública, mas sim à Justiça Eleitoral.
Curiosamente, o próprio juiz Ricardo Cyfer pontuou em seu despacho que o ofício ao TSE tem natureza “meramente informativa” e que a aferição de uma eventual inelegibilidade compete de fato ao braço eleitoral do Judiciário.
Na live, Garotinho defendeu sua inocência no caso de 2005, argumentando que apenas assinou um documento chancelado pelo então procurador-geral do Estado e que não era o ordenador de despesas da Secretaria de Saúde.
Ataques aos adversários e foco na campanha
Aparecendo com 10% das intenções de voto na última pesquisa Genial/Quaest — empatado tecnicamente com Douglas Ruas (PL) e distante do líder Eduardo Paes (PSD), que tem 38% —, Garotinho utilizou a transmissão para colar a imagem de “candidatos do sistema” em seus oponentes.
O candidato do Republicanos acusou grupos ligados a milícias e facções criminosas de tentarem retirá-lo da disputa por medo de suas denúncias. “O que estão fazendo é uma tentativa de tornar Eduardo Paes candidato único. Ou então disputar com um candidato que não tem chance, que é o Douglas Ruas”, disparou.
Para contrapor as críticas de que o recente debate televisivo foi esvaziado de propostas, o ex-governador listou projetos de sua atual plataforma, como a criação do *cashback* de impostos para servidores públicos e o programa de segurança “BOP 2.0”, apelando também à memória do eleitorado mais velho ao relembrar realizações de seus mandatos anteriores, como os Restaurantes Populares e as Delegacias Legais.
O futuro político de Garotinho agora repousa sobre a mesa da Justiça Eleitoral, que analisará o registro de sua candidatura nas próximas semanas e decidirá qual interpretação sobre o prazo de seus direitos políticos irá prevalecer.

