‘Patrimônios da política Baré’: Arthur, Omar e Braga estão cada vez mais próximos de se tornarem aliados nas eleições 2026; veja vídeo
Amazonas – O tabuleiro político do Amazonas sofreu um abalo sísmico na manhã desta quarta-feira (4/3). O que antes parecia improvável no campo das vaidades e das antigas divergências, consolidou-se em um aperto de mãos histórico: Arthur Virgílio Neto, Omar Aziz e Eduardo Braga — três dos maiores titãs da política baré — estão agora sob o mesmo teto estratégico.
A filiação de Arthur Neto ao MDB, capitaneada por Braga e prestigiada pelo presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, não é apenas uma mudança de legenda. É a formação de uma “tríplice aliança” que promete redesenhar as forças para o pleito de 2026. Arthur Virgílio Neto, que em anos recentes flertou e caminhou em sintonia com o bolsonarismo em diversos momentos estratégicos, inclusive recebendo apoio da professora Maria do Carmo em 2022, largou de vez a pele de aliado da direita conservadora para abraçar, sem reservas, os maiores articuladores do Governo Lula no Amazonas.
O Fim das Fronteiras: Arthur no MDB
Após décadas como o principal rosto do PSDB no estado, Arthur Virgílio Neto desembarcou no MDB com um discurso de renovação e pragmatismo. Ao lado de Eduardo Braga, seu antigo adversário em pleitos memoráveis, Arthur não economizou no entusiasmo.
“Fico muito feliz em chegar a um partido que tem uma bancada de qualidade. Vamos para ganhar, não tem história não”, declarou Arthur, sinalizando que a aposentadoria política está fora de cogitação.
A Engenharia Política para 2026
O desenho da aliança ficou nítido nos discursos durante o evento em Manaus. O movimento estabelece um “pacto de não agressão” e apoio mútuo que isola oponentes e fortalece o grupo no interior:
Omar Aziz (PSD): Recebe o apoio declarado de Arthur Neto para sua pré-candidatura ao Governo do Amazonas.
Eduardo Braga (MDB): Consolida sua base para a reeleição ao Senado, contando com o aval público de Omar, que afirmou: “Vou me sentir muito confortável em governar esse Estado tendo um cara como o Eduardo no Senado”.
Arthur Neto (MDB): Atua como o “fiel da balança” e conselheiro estratégico, trazendo seu capital político e histórico de gestão para o grupo.
Além dos Caciques: O “Novo” MDB
O evento não foi apenas sobre os veteranos. Eduardo Braga buscou rejuvenescer a imagem do partido e ampliar a capilaridade no interior e em causas sociais:
1. Representatividade: A filiação de Vanda Witoto foi tratada como um marco. Braga a definiu como a voz que representará uma “nova cultura na relação entre indígenas e brancos”.
2. Poder de Fogo em Brasília: A entrada dos deputados federais Adail Filho e Saullo Vianna fortalece a bancada do MDB na Câmara, garantindo mais acesso a emendas e articulação federal.
3. Frente Interiorana: Com lideranças como Nathan Macena (Careiro) e o apoio de prefeitos como Fernandão (Presidente Figueiredo), o grupo planeja uma maratona de viagens pelo interior nos próximos 90 dias.
Defesa da Amazônia como Bandeira
Em um discurso inflamado, Eduardo Braga subiu o tom contra a visão externa da Amazônia, defendendo a soberania do estado e criticando a criminalização do povo amazonense em pautas ambientais. “Nós não podemos ter nossas terras bombardeadas em nome de uma defesa ambiental que nós somos os que mais defendemos”, pontuou o senador.
Com a união desses “três mosqueteiros”, o cenário para 2026 começa a ganhar contornos de uma eleição de pesos-pesados, onde a experiência e a estrutura partidária serão as armas principais.



