Operação contra produtora de ‘Dark Horse’ ‘não tem nada a ver’ com o filme, diz Flávio Bolsonaro

Brasil – O senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou publicamente nesta segunda-feira que a recente ação da Polícia Civil de São Paulo envolvendo o Instituto Conhecer Brasil “não tem nenhum ponto de contato ou relação com o filme” em produção sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Contudo, os relatórios preliminares do corpo investigativo contradizem diretamente a narrativa de blindagem do parlamentar.
As declarações do senador ocorreram durante um encontro com a imprensa na chegada a um compromisso oficial na capital fluminense. O esclarecimento político foi acompanhado de perto por lideranças expressivas do partido, incluindo o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), e o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas.
A Operação Wi-Fi e o Elo Empresarial
O foco do embate jurídico-político reside na chamada “Operação Wi-Fi”, deflagrada pelas forças de segurança paulistas nas primeiras horas do dia. A ofensiva policial busca desarticular possíveis fraudes estruturais em um contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e a organização não governamental Instituto Conhecer Brasil (ICB).
A entidade do terceiro setor é presidida pela empresária Karina Ferreira Gama. Coincidentemente, Karina também figura como a principal proprietária da Go Up Entertainment, a produtora audiovisual responsável pelo desenvolvimento de Dark Horse, obra cinematográfica focada no espólio político de Jair Bolsonaro.
Contexto Orçamentário: O Instituto Conhecer Brasil foi contratado por cifras expressivas que somam R$ 108 milhões sob a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). O escopo do projeto previa a implementação de 5 mil pontos de conectividade Wi-Fi gratuita em vias públicas da capital paulista.
Indícios de Confusão Patrimonial
De acordo com os investigadores da Polícia Civil, os indícios apontam não apenas para irregularidades no processo licitatório primário, mas também para uma severa “confusão patrimonial” entre as contas do instituto e da produtora de cinema. A principal linha de apuração trabalha com a hipótese de que notas fiscais emitidas pela ONG para si mesma serviram como mecanismo de escoamento de dinheiro público para cobrir os vultosos custos de produção do longa-metragem.
Fontes ligadas ao caso destacam que o orçamento estimado de Dark Horse acendeu alertas nos órgãos de controle financeiro. O montante direcionado ao filme supera o investimento de grandes produções contemporâneas do cinema nacional e fortes concorrentes a premiações internacionais, tais como os aclamados títulos Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto.
Posicionamento dos Envolvidos
Procurada para prestar esclarecimentos institucionais, a Prefeitura de São Paulo emitiu uma nota oficial ressaltando que atua em total cooperação com as autoridades competentes desde o princípio das apurações. Segundo a administração municipal, todo o volume de documentos exigido pelos agentes na manhã desta segunda-feira já se encontrava disponível para consulta pública nos sistemas de prestação de contas do município.
Até o fechamento desta edição, a empresária Karina Ferreira Gama e os representantes legais da Go Up Entertainment não haviam retornado às tentativas de contato para manifestação sobre o caso.








