Omar Aziz ‘perde o parafuso que segurava a vergonha na cara’ e diz que construiu 62 hospitais no Estado do Amazonas; veja vídeo
Amazonas – Durante o recente debate eleitoral transmitido pela Band, o ex-governador e atual senador Omar Aziz fez uma declaração que rapidamente chamou a atenção dos eleitores amazonenses. Ao defender seu legado na gestão pública, o candidato afirmou ter construído 62 hospitais no estado do Amazonas, em um trabalho conjunto com seu antecessor Eduardo Braga. No entanto, uma análise aprofundada sobre a infraestrutura de saúde do estado revela que a afirmação mascara uma realidade de precariedade estrutural e falta de alta complexidade no interior, algo que ficou tragicamente evidente nos últimos anos.
A alegação retórica de que existe uma unidade hospitalar plena para cada um dos 62 municípios amazonenses não se sustenta quando os critérios técnicos são aplicados ao histórico de obras. O que as gestões estaduais daquela época entregaram, em sua esmagadora maioria, foram Unidades Mistas de Saúde, que consistem em pequenas estruturas de baixa complexidade voltadas apenas para atendimentos básicos.
Quando a crise sanitária da Covid-19 atingiu o estado de forma brutal, a fragilidade desse sistema ficou exposta. Não havia sequer um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) instalado no interior do Amazonas, obrigando pacientes graves a dependerem de remoções em UTI aérea para tentar a sobrevivência na capital, culminando no colapso logístico e sanitário que vitimou milhares de famílias.
Além da limitação estrutural no interior, o candidato também reivindicou em sua fala a construção do Hospital e Pronto-Socorro Delphina Aziz, localizado em Manaus. Embora a obra tenha sido inaugurada no fim do seu mandato, em 2014, a entrega foi realizada de forma parcial e apressada. A unidade operou com severa ociosidade e áreas inacabadas durante os anos seguintes, demorando para atingir sua capacidade plena. Paralelamente a esse cenário, o discurso de pontualidade no pagamento de servidores esbarra no histórico da Operação Maus Caminhos. O esquema de corrupção, que sangrou os recursos da saúde no estado através do modelo de Organizações Sociais (OSs), deixou profissionais terceirizados sem salários e insumos em falta, gerando desdobramentos que atingiram o próprio ex-governador durante a Operação Vertex em 2019.


