Omar Aziz critica caos na saúde do AM, mas vídeo reacende lembranças da Operação Maus Caminhos e levanta debate sobre coerência política

Amazonas – Ao publicar neste domingo (14) um vídeo com duras críticas ao sistema público de saúde do Amazonas, o senador Omar Aziz (PSD) voltou ao centro do debate político estadual. Mas, junto com as denúncias sobre filas, precariedade, atrasos de pagamento e sofrimento de pacientes, ressurgiu também uma pergunta incômoda para o parlamentar: qual é o peso do seu próprio legado político na crise que hoje denuncia?
O questionamento aparece porque o nome de Omar Aziz foi associado, ao longo dos últimos anos, ao contexto investigado pela Operação Maus Caminhos, uma das maiores investigações já realizadas sobre suspeitas de desvios de recursos da saúde no Amazonas.
Deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, a operação investigou esquemas envolvendo contratos milionários na área da saúde, organizações sociais e influência política durante administrações estaduais. Ao longo das fases da investigação, familiares do senador foram alvo de medidas judiciais, incluindo prisões temporárias e bloqueios patrimoniais. Omar Aziz negou irregularidades, afirmou nunca ter sido denunciado criminalmente pelos fatos e sustentou que parte das decisões judiciais posteriormente foi anulada.
Ainda assim, o episódio permanece como um dos capítulos mais sensíveis da história recente da saúde amazonense.
No vídeo divulgado neste domingo, Omar aparece criticando a situação dos hospitais, relatando denúncias de pacientes e profissionais, atacando atrasos de pagamento e dizendo que o Estado arrecadou bilhões sem construir estrutura suficiente para atender a população.
Em um dos trechos, o senador afirma que “não faltou dinheiro” e responsabiliza governos recentes pelo cenário atual. Em outro momento, tenta estabelecer contraste com sua própria gestão ao afirmar que deixou hospitais funcionando e cita obras realizadas durante seu período como governador.
O discurso, no entanto, encontra resistência justamente porque boa parte dos problemas estruturais da saúde amazonense não surgiu agora.
Entre os principais pontos levantados por críticos está o fato de que Omar governou o Amazonas entre 2010 e 2014 e integrou um grupo político que permaneceu influente nos anos seguintes. Foi justamente nesse período que modelos de terceirização, contratos e estruturas administrativas que mais tarde seriam alvo de investigação começaram a ganhar espaço ou se consolidaram.
Para adversários políticos, existe uma contradição evidente entre assumir o papel de denunciante absoluto do sistema e ignorar que o próprio grupo político teve participação histórica na condução da saúde estadual.
Outro ponto que chamou atenção foi o trecho final do vídeo, quando Omar deixa de apenas cobrar soluções e passa a se apresentar como alternativa eleitoral, afirmando que o cenário mudará a partir de janeiro de 2027.
Na prática, a publicação acabou produzindo um efeito duplo: expôs problemas reais e relatados diariamente por pacientes da rede pública, mas também recolocou em evidência perguntas antigas sobre responsabilidade política, memória administrativa e prestação de contas.
Criticar a saúde pública é legítimo. Mas, no caso do Amazonas, o debate que surge nas redes e nos bastidores políticos é outro: quem participou da construção do sistema também precisa responder pelos resultados que ele produziu ao longo do tempo.
E é justamente por isso que, para parte dos amazonenses, o vídeo deste domingo não foi visto apenas como denúncia — mas como um retorno inevitável a um passado que ainda continua sendo cobrado.
Veja vídeo:
Inclusive, a narrativa de Aziz foi criticada recentemente pelo governador Roberto Cidade.
Veja:








