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‘O sujo e o mal lavado’: Omar aponta o dedo para Wilson Lima e jura inocência na ‘Maus Caminhos’, escândalo que botou sua família na cadeia; vídeo

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‘O sujo e o mal lavado’: Omar aponta o dedo para Wilson Lima e jura inocência na ‘Maus Caminhos’, escândalo que botou sua família na cadeia; vídeo

Manaus – Na política, a memória é um campo de batalha permanente e, muitas vezes, seletivo. No Amazonas, esse cenário se desenha com clareza no choque de narrativas que expõe as feridas da saúde pública do estado, opondo diferentes gestões em um jogo de acusações onde o passado recente e os traumas da pandemia são usados como munição.

De um lado, o trauma do colapso sanitário. Em discursos contundentes, como o registrado em vídeo recente, o senador Omar Aziz adota uma postura de ataque frontal à gestão do governador Wilson Lima. A estratégia é reavivar na memória do eleitor os episódios mais sombrios da crise de Covid-19 em Manaus. Aziz acusa a administração de “deixar pessoas morrerem sem oxigênio” e resgata o polêmico caso da compra de respiradores em uma loja de vinhos. Para reforçar a crítica, ele também foca no presente, denunciando atrasos de até sete meses no pagamento de profissionais da área médica, tentando colar na atual gestão a imagem de colapso contínuo.

Do outro lado, a sombra dos desvios de recursos. Quando o alvo do questionamento se inverte e o tema passa a ser a Operação Maus Caminhos, o maior escândalo de corrupção na saúde do estado, o discurso de ataque dá lugar a uma defesa categórica de seu legado.

Aziz busca se distanciar completamente da operação. “Não devo nada a ninguém. Não tenho absolutamente nada, nunca fui denunciado”, defende-se o político. Para contrapor as suspeitas, ele recorre ao que construiu, citando a entrega de hospitais importantes e a criação de programas na saúde durante seus anos no Executivo, argumentando que as cobranças deveriam ser direcionadas exclusivamente aos atuais governantes.

O Fator Vertex: O que o discurso omite

Contudo, se a crise do oxigênio é um fato inescapável para a atual administração, a tentativa de distanciamento total da Maus Caminhos esbarra nos registros policiais. Embora o senador afirme sua inocência pessoal, o contexto histórico é mais complexo e próximo de seu núcleo do que a retórica sugere.

Em julho de 2019, a Polícia Federal deflagrou a Operação Vertex, um desdobramento direto das investigações da Maus Caminhos, focado em rastrear o caminho do dinheiro desviado e a prática de lavagem de capitais. O alvo principal dessa fase foi justamente a família do senador. A operação resultou na prisão temporária de sua esposa e ex-primeira-dama, Nejmi Aziz, além de três de seus irmãos: Murad, Amin e Mansour Aziz.

A conta da saúde pública

O que o cenário político amazonense revela é uma guerra de desgastes onde a saúde pública é usada tanto como escudo quanto como espada. A indignação com a falta de oxigênio e a revolta com o desvio de verbas públicas competem pela atenção do eleitor. No fim, a frase que dá título ao vídeo que circula nos bastidores prova-se verdadeira: a memória também faz campanha e, quando confrontada com os fatos, ela costuma cobrar a conta completa de todos os envolvidos.


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