“O poste mijando no cachorro”: jornalista é condenado a indenizar Arthur Virgílio e Elisabeth Valeiko após entrevistar família do engenheiro Flávio

Manaus – O acompanhamento jornalístico de um dos crimes de maior repercussão no Amazonas gerou uma retaliação judicial direta à liberdade de imprensa. O jornalista Moisés Dutra foi condenado, na última segunda-feira (7/6), a pagar uma indenização de R$ 15 mil por danos morais ao ex-prefeito e atual candidato a deputado federal pelo MDB, Arthur Virgílio Neto, e à sua esposa, a ex-primeira-dama Elisabeth Valeiko. O motivo? Ter dado voz à família do engenheiro Flávio Rodrigues, brutalmente assassinado dentro da residência de Alejandro Valeiko, enteado do político.
Além da sanção financeira, a magistrada responsável pelo caso impôs uma mordaça ao jornalista: Dutra está judicialmente proibido de falar sobre o “Caso Flávio”. Em vídeo divulgado nas suas redes sociais na manhã desta terça-feira (7), o comunicador expôs sua indignação com o que classificou como uma total inversão de valores.
“Vejam o que é o Brasil, minha gente, onde o poste mija no cachorro literalmente”, declarou o jornalista. Segundo a decisão, a cobertura jornalística do caso, que incluiu entrevistas com os familiares da vítima e a documentação dos protestos por justiça, teria ferido a honra do casal político.
A dor ignorada
Enquanto a Justiça se mobiliza para proteger a imagem de figuras públicas, Dutra questionou o abandono do Estado em relação aos que realmente sofrem com a tragédia. O comunicador chamou atenção para o estado de saúde da mãe do engenheiro Flávio, que, segundo ele, “definhou durante todos esses anos, sofrendo a ausência do seu filho”.
“A honra da família do engenheiro Flávio Rodrigues, onde é que fica? Essa sim foi ferida!”, cobrou Dutra. O jornalista pontuou que, enquanto o foco do judiciário se volta para silenciar a imprensa, a honra e a dor da família da vítima seguem sem qualquer reparação.
Bastidores e conexões políticas
No desabafo, Moisés Dutra também levantou suspeitas sobre os bastidores processuais. Ele relembrou que, na época dos fatos, já havia sido processado por Kellen Veras, ex-secretária de comunicação e assessora de imprensa de Arthur Virgílio, que atualmente compõe a equipe da também política Maria do Carmo Seffair.
“Eu não quero entender que tem relação uma coisa com a outra, que está me soando muito estranho”, insinuou o jornalista, deixando no ar questionamentos sobre a influência política nos desdobramentos de processos contra a imprensa local.

Próximos passos e novos fatos
Apesar da tentativa de silenciamento, a equipe jurídica do jornalista já recorreu da decisão. Dutra garantiu que a batalha judicial será levada a Brasília, se necessário, para garantir o direito da sociedade à informação.
Longe de se intimidar com a censura prévia, o comunicador deixou um aviso contundente aos envolvidos e ao público que o acompanha. Prometendo manter o compromisso com a verdade e o jornalismo investigativo, Dutra anunciou que o caso está longe de um desfecho midiático. “Calma, Arthur e Elisabeth, que agora eu vou trazer à luz dos fatos muita coisa que a sociedade não sabe”, finalizou.



