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“Não dá mais para continuar assim”: desembargador do TJAM desabafa e cogita abandonar cargo; veja vídeo

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“Não dá mais para continuar assim”: desembargador do TJAM desabafa e cogita abandonar cargo; veja vídeo

Manaus – O desabafo do desembargador Cláudio César Ramalheira Roessing, presidente da Primeira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), durante uma sessão virtual recente expôs de forma contundente as dificuldades operacionais que ainda persistem no Judiciário amazonense, mesmo anos após a consolidação das sessões virtuais.

O episódio ocorreu em meio ao julgamento de um processo cível, quando uma advogada não conseguiu participar da sessão por não ter recebido o link de acesso. De acordo com os esclarecimentos feitos na própria sessão, a secretaria do órgão considerou o processo como adiado e, por isso, não enviou o convite virtual — apesar de a intimação ter sido devidamente realizada por meio do Diário da Justiça Eletrônico (DJE).

Diante da ausência da profissional, foi sugerida uma solução provisória: o desembargador Pascarelli faria a leitura de seu voto para dar andamento parcial ao julgamento, com retomada posterior garantindo a participação regular da advogada. No entanto, o presidente Roessing rejeitou a ideia de adiamento injustificado, reconhecendo explicitamente o prejuízo causado às partes envolvidas.

Em um momento de visível frustração, o magistrado fez um desabafo público ao vivo. Ele pediu desculpas aos advogados, às partes e aos demais participantes da sessão, destacando que enfrenta dificuldades constantes para conduzir os trabalhos nas condições atuais. Roessing apontou falhas recorrentes no sistema eletrônico utilizado pelo tribunal, somadas a problemas de comunicação e adequação da secretaria à dinâmica exigida pela Primeira Câmara Cível.

“Não dá mais para continuar assim. Estou cobrando solução imediata e, se não houver mudanças, não aceito prosseguir presidindo sessões com esse nível de desgaste”, afirmou o desembargador, chegando a cogitar deixar a presidência do colegiado caso a situação persista sem resolução.

Apesar do impasse inicial, a sessão seguiu com o julgamento dos demais processos. Ao final, a secretaria conseguiu encaminhar o link à advogada, que ingressou na plataforma virtual e permitiu a continuidade normal do julgamento afetado.

O caso, ocorrido recentemente (com repercussão noticiada nos primeiros dias de fevereiro de 2026), reacendeu críticas já antigas de advogados e operadores do Direito sobre a instabilidade técnica das plataformas digitais do TJAM e falhas administrativas que comprometem a celeridade e a efetividade processual. Muitos profissionais relatam, em redes sociais e fóruns da advocacia, que problemas semelhantes — quedas de sistema, atrasos em intimações virtuais e descompasso entre secretaria e magistrados — são rotina e afetam diretamente o andamento de milhares de processos no estado.

A presidência da Primeira Câmara Cível está sob comando de Roessing desde fevereiro de 2025, quando foi eleito por unanimidade para um biênio. O episódio demonstra que, mesmo em um tribunal que avançou na digitalização, gargalos estruturais e de gestão ainda geram estresse significativo entre os próprios protagonistas do sistema de Justiça.

O TJAM ainda não se manifestou oficialmente sobre o desabafo ou sobre medidas corretivas imediatas. O incidente, porém, serve como alerta para a necessidade urgente de investimentos em infraestrutura tecnológica e capacitação administrativa, sob pena de comprometer a credibilidade e a eficiência do Judiciário amazonense.


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