Ministro André Mendonça marca reunião com a PF e inicia trabalho no caso Master
Brasil – Apenas um dia depois de ser designado por sorteio como o novo relator do inquérito que apura as fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), já marcou sua primeira ação concreta no processo: uma reunião com os delegados da Polícia Federal responsáveis pelas investigações.
O encontro, previsto para a tarde desta sexta-feira (13/2), ocorrerá de forma virtual. Mendonça, que está em São Paulo em agenda institucional, participará remotamente, acompanhado por assessores de seu gabinete. A intenção, segundo fontes próximas ao ministro, é obter um panorama completo do estágio atual das apurações, ouvir os principais investigadores e definir o plano de trabalho para os próximos meses.
A escolha de Mendonça como relator veio na noite de quinta-feira (12/2), após o ministro Dias Toffoli pedir sua saída da relatoria. A decisão de Toffoli foi tomada em meio a uma crise interna no STF, desencadeada pela entrega de um relatório da PF ao presidente da Corte, Edson Fachin. O documento, com cerca de 200 páginas, continha menções ao nome de Toffoli extraídas do celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e figura central no esquema investigado.
A troca de relator foi bem recebida em setores da Polícia Federal. A cúpula da PF, liderada pelo diretor-geral Andrei Rodrigues, mantém uma relação considerada “ótima” com Mendonça, apesar de o ministro ter sido indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A saída de Toffoli, por outro lado, encerrou um período de atritos entre o ex-relator e os investigadores, que incluíram críticas mútuas e tensões sobre o ritmo e o sigilo das diligências.
Além da conversa com a PF, o gabinete de Mendonça realiza nesta sexta uma reunião interna para alinhar a estratégia no caso. Entre as decisões iniciais esperadas estão a análise do nível de sigilo do processo, a revisão de medidas cautelares já adotadas e a possibilidade de devolução do inquérito à primeira instância — ponto que tem sido debatido como forma de reduzir pressões sobre o STF.
O Caso Master envolve suspeitas de fraudes financeiras de grande escala, incluindo operações que quase causaram prejuízo bilionário ao Banco de Brasília (BRB) e dependiam fortemente do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Vorcaro chegou a ser preso temporariamente, e depoimentos recentes, como os dele e de diretores do Banco Central, trouxeram novos elementos à investigação.
Com Mendonça agora à frente — e acumulando também a relatoria de outro inquérito sensível, sobre fraudes no INSS —, o processo ganha um novo capítulo em um ano político delicado, com eleições no horizonte e o Judiciário sob escrutínio constante.
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