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Mensagens no celular de Vorcaro acirram crise entre Toffoli e Polícia Federal

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Mensagens no celular de Vorcaro acirram crise entre Toffoli e Polícia Federal

Brasil – A descoberta de mensagens e referências ao ministro Dias Toffoli no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, intensificou o embate entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF), elevando o caso de fraudes financeiras a um nível de tensão institucional raro na capital federal.

A perícia realizada pela PF nos aparelhos apreendidos durante a Operação Compliance Zero revelou conversas que mencionam o nome do ministro, incluindo discussões sobre pagamentos ligados à empresa Maridt Participações – da qual Toffoli admitiu ser sócio, junto com familiares. As mensagens, extraídas dos cinco celulares de Vorcaro, incluem trocas com seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, que aparece como intermediário em negociações envolvendo o resort Tayayá, no Paraná, empreendimento que teve participação da Maridt até fevereiro de 2025.

De acordo com relatos de fontes ligadas à investigação, o relatório de cerca de 180-200 páginas, entregue pessoalmente pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, Edson Fachin, na segunda-feira (9), detalha não apenas menções diretas a Toffoli, mas também registros de ligações telefônicas entre o ministro e Vorcaro, além de um convite para uma festa de aniversário enviado ao magistrado. Investigadores apontam que as referências a repasses seriam cifradas em alguns trechos, mas indicam valores substanciais – possivelmente na casa dos R$ 20 milhões – oriundos da venda da fatia da Maridt no resort a fundos conectados a Zettel, como o Arleen e o Leal.

Toffoli reagiu rapidamente. Em nota divulgada na quinta-feira (12), o ministro negou veementemente qualquer relação de amizade íntima com Vorcaro ou recebimento direto de valores dele ou de Zettel. Ele confirmou ser sócio da Maridt – uma sociedade anônima familiar administrada por seus irmãos José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli –, mas enfatizou que as transações foram regulares, declaradas à Receita Federal e realizadas a valor de mercado. A venda da participação no Tayayá ocorreu em etapas: parte em 2021 para o fundo Arleen e o restante em 2025 para a PHD Holding.

A pressão sobre Toffoli culminou na noite de quinta-feira (12), quando, após uma reunião de emergência de cerca de três horas convocada por Fachin com todos os ministros do STF, o magistrado solicitou – e obteve – a redistribuição da relatoria do caso Master. Uma nota conjunta assinada pelos dez ministros acolheu o pedido, citando “altos interesses institucionais” e reafirmando a inexistência de suspeição ou impedimento legal. O processo foi sorteado para o ministro André Mendonça.

Nos bastidores, autoridades ouvidas por diferentes veículos descrevem um clima de “guerra fria” entre a PF e o STF. Investigadores argumentam que a conduta de Toffoli ao assumir a relatoria em novembro de 2025 – e decisões como determinar que as provas ficassem inicialmente lacradas no STF antes de irem para a PGR – pode ter gerado prejuízos à apuração, inclusive com risco de nulidade de provas por eventual conflito de interesses. Há temor de que o episódio alimente narrativas contra a Corte, especialmente entre setores bolsonaristas, ressignificando eventos como os atos de 8 de janeiro de 2023.

A PF, por sua vez, enfrenta críticas de políticos e aliados por supostos vazamentos de informações sigilosas, o que ampliou a percepção de descontrole nas investigações que já alcançaram o Amapá, envolvendo aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

O caso Master, que envolve fraudes bilionárias e liquidações pelo Banco Central, continua sob sigilo em partes cruciais. A troca de relatoria pode preservar a validade das provas, mas o episódio expõe fissuras institucionais em um momento sensível para o Judiciário. Toffoli mantém o apoio declarado dos colegas, mas o desgaste é evidente – e os desdobramentos prometem ecoar por semanas em Brasília.

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