Médico desmente Roberto Cidade e aponta Organizações Sociais de Saúde como retrocesso e razão dos atrasos de salários; veja vídeo

Amazonas – O anúncio de liberação de R$ 127 milhões para a saúde pública do Amazonas, feito com tom de promessa cumprida pelo deputado estadual Roberto Cidade, esbarra em uma realidade de insatisfação denunciada por profissionais da área. O médico e especialista Dr. Rafael Benoliel expôs publicamente que a quantia milionária não chega às mãos daqueles que de fato realizam os plantões e procedimentos cirúrgicos. Segundo a denúncia, o repasse feito pelo Governo do Estado acaba retido, contrariando a versão política de que a situação financeira da categoria estaria resolvida.
O principal alvo das críticas e apontado como a verdadeira razão pelo atraso de salários é o atual modelo de gestão baseado nas Organizações Sociais de Saúde (OSs), classificado pelo médico como um grave retrocesso. O cirurgião destacou que, por mais de vinte anos, o Amazonas mantinha um formato de contratação direta, negociando sem atravessadores com empresas formadas pelos próprios profissionais, o que garantia eficiência ao sistema. Contudo, a recente mudança colocou essas organizações à frente dos principais hospitais, resultando em relatos diários de médicos que não recebem pelo trabalho prestado, apesar da liberação formal dos recursos.
Para agravar o cenário de instabilidade no sistema estadual, os valores alardeados em discursos políticos mascaram um passivo financeiro acumulado que sufoca a classe médica. De acordo com as informações divulgadas no vídeo de protesto, o montante anunciado por Roberto Cidade é suficiente para cobrir apenas dois meses de pagamentos, enquanto os profissionais enfrentam quase um ano de repasses em atraso. A situação levanta sérios questionamentos sobre a manutenção desse modelo de gestão e revela como o descompasso afeta a população amazonense, que sofre as consequências na ponta do Sistema Único de Saúde.

