Marcellus Campêlo: Prisão, CPI e mortes na crise do oxigênio: o passado que o ex-secretário precisa explicar antes de pedir voto

Amazonas – Marcellus Campêlo, ex-secretário de Saúde do Estado do Amazonas, surge em 2026 como candidato a deputado estadual, a candidatura porém esconde um passado difícil de esquecer na cabeça da população amazonense

Em um dos momentos mais críticos da história do Brasil , a pandemia de Covid-19 , Marcellus ocupava o cargo de secretário de saúde, durante o primeiro mandato da gestão de Wilson Lima no governo do estado, o terceiro a ocupar a titularidade da pasta, no período pandêmico, o Amazonas ficou marcado como o epicentro da doença no Brasil, um recorte triste na linda história do estado, foram mais de 14 mil mortes e mais de 636 mil casos da doença confirmados. Vidas e vidas perdidas, sufocadas não só pela doença em si, mas também pela omissão do estado, em um momento que as pessoas mais precisavam.
No olho do furacão, e com o problema já instaurado, uma série de polêmicas aconteceram, e colocaram em xeque a responsabilidade pela saúde do estado, que estava nas mãos do então secretário de saúde:
Operação Sangria e prisão pela PF (2021)
Campêlo, então secretário de Saúde do Amazonas, foi preso pela Polícia Federal em junho de 2021, durante uma fase da Operação Sangria, que investigava suspeitas de irregularidades em contratos relacionados ao enfrentamento da pandemia.
Veja reportagem:
Contratos para hospital de campanha

A investigação da Operação Sangria apontou suspeitas de favorecimento a empresários em contratos envolvendo o aluguel de um complexo hospitalar utilizado como hospital de campanha durante a pandemia.
Veja reportagem:
Compra de respiradores em loja de vinhos

O período em que Campêlo comandou a Saúde também foi marcado pela crise envolvendo a compra de respiradores em uma loja de vinhos de Manaus, episódio que acabou relacionado às investigações da Operação Sangria.
Crise do oxigênio em Manaus

Campêlo foi uma das figuras centrais nas discussões sobre a falta de oxigênio nos hospitais do Amazonas em janeiro de 2021. Durante depoimento à CPI da Pandemia, foi questionado sobre a preparação do Estado para a crise e admitiu que o governo não havia adquirido uma usina própria para produção de oxigênio.
CPI da Pandemia

Em 2021, a CPI da Pandemia do Senado aprovou pedido de indiciamento de Campêlo. O relatório final da comissão relacionou sua atuação à investigação sobre a condução da pandemia no Amazonas. É importante destacar que indiciamento por uma CPI não equivale a condenação judicial.
Áudio sobre a falta de oxigênio
Um áudio enviado durante a crise de janeiro de 2021, alertando sobre a situação do abastecimento de oxigênio em Manaus, foi posteriormente identificado pelo Ministério da Saúde como sendo de Marcellus Campêlo.
A imprensa nacional confirmou a informação, veja:
Seis anos depois da pandemia, vem a candidatura para deputado estadual
Desde a pandemia, seis anos se passaram, e o episódio ainda continua vivo na memória dos amazonenses, mesmo depois disso tudo, em 2026 o ex-secretário de saúde concorre a uma vaga como candidato a deputado estadual, a candidatura, porém, inevitavelmente traz de volta uma pergunta que o eleitor amazonense tem direito de fazer:
Qual foi, efetivamente, a responsabilidade e a atuação do então secretário diante dos alertas, da escassez de oxigênio e do colapso que marcou a pandemia no Amazonas?
Antes de pedir o voto dos amazonenses, Campêlo terá pela frente não apenas uma campanha eleitoral, mas também o peso político de sua passagem pela Secretaria de Saúde durante um dos capítulos mais dolorosos da história recente do estado.


