Brasília Amapá Roraima Ceará Pará |
Manaus
24º

Mansão, heliponto e águas cristalinas: ex-CEO do Master e dono do Banco Pleno é o verdadeiro proprietário da Ilha da Paixão; veja

Compartilhe
Mansão, heliponto e águas cristalinas: ex-CEO do Master e dono do Banco Pleno é o verdadeiro proprietário da Ilha da Paixão; veja

Brasil – O que antes era conhecido pela curiosa geografia como “Ilha do Topete”, em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, transformou-se em um símbolo de opulência e, agora, em um ponto central de investigações financeiras. Rebatizada como Ilha da Paixão, a propriedade de 10 mil metros quadrados — completa com heliponto, praia privativa e infraestrutura de luxo — emergiu como o mais novo capítulo que liga o empresário Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master, a uma rede complexa de transações.

Embora o cenário seja paradisíaco, os caminhos que levam à propriedade são burocráticos. Adquirida em julho de 2023 por R$ 1,3 milhão (apesar de avaliada em R$ 20 milhões), a ilha está registrada em nome da RC Participações, Assessoria e Consultoria Empresarial S.A. A estrutura societária revela a digital de Lima: a RC pertence ao fundo Falcon, que por sua vez é controlado pelo fundo Haena 808. Dados da CVM confirmam que Augusto Lima figura como o único cotista do Haena 808.

Para fechar o cerco das conexões, a RC Participações é dirigida por Márcio Vieira Lemos, ex-chefe do departamento jurídico e de gestão de imóveis do Banco Master, instituição comandada por Daniel Vorcaro. Atualmente, Lemos também aparece como franqueado de uma rede de doces no interior de São Paulo, mas segue à frente da empresa que detém o controle da ilha.

Relatos de comerciantes locais e documentos da Anac confirmam que a transição de dono não foi apenas no papel. Após a compra junto ao empresário baiano Eduardo Valente, a ilha passou por uma reforma radical. Fontes locais indicam que a casa principal e as áreas de lazer foram demolidas para dar lugar a um projeto arquitetônico ainda mais sofisticado, que mobilizou dezenas de profissionais e movimentou a economia hoteleira da região por meses.

A revelação sobre a Ilha da Paixão ocorre em um momento delicado para Augusto Lima. O executivo, que já foi uma figura central na ascensão do Banco Master e controla o agora liquidado Banco Pleno, vive sob restrições severas. Lima foi detido no final de 2025 durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras e operações estruturadas entre os fundos que gerem seus bens e a administradora Reag. Atualmente, ele cumpre medidas cautelares e faz uso de tornozeleira eletrônica.

Casado com Flávia Péres, ex-ministra do governo Bolsonaro, e com histórico de negócios influentes em gestões passadas na Bahia — como o caso do CredCesta —, Lima vê seu refúgio particular se tornar mais uma peça no tabuleiro jurídico que tenta desvendar as engrenagens de seu império financeiro. Até o momento, a defesa de Augusto Lima e o empresário Eduardo Valente não se manifestaram sobre as transações envolvendo a Ilha da Paixão.

A trajetória de Augusto Lima é marcada por uma ascensão meteórica que mistura o setor público e o financeiro. O empresário baiano ganhou notoriedade nacional ao adquirir a rede de supermercados Cesta do Povo durante a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal). Com o negócio, ele assumiu o controle do Credcesta, um cartão de benefícios voltado a servidores públicos que, sob sua gestão e em parceria com o Banco Master, expandiu-se da Bahia para todo o país, tornando-se um robusto produto de crédito consignado negociado com fundos de investimento.

No entanto, essa expansão atraiu o interesse da CPMI do INSS. Requerimentos de quebra de sigilo bancário apontam que uma parcela relevante dos créditos oferecidos a aposentados e pensionistas através do Credcesta não teria sido informada às autoridades competentes. As investigações sugerem que a operação funcionava sem os recursos ou a estrutura necessários para cumprir as regras regulatórias, alimentando as suspeitas que culminaram na Operação Compliance Zero.

Além das operações financeiras, Lima circulava com desenvoltura nos bastidores do poder em Brasília e na Bahia. Relatos apontam sua proximidade com figuras centrais do governo atual, como o ministro Rui Costa e o senador Jaques Wagner. Foi Lima, inclusive, quem intermediou a contratação de consultoria jurídica de alto nível para o Banco Master e participou de reuniões de Daniel Vorcaro com a cúpula do Executivo federal no final de 2024, consolidando seu papel como o articulador político do grupo.

O capítulo mais recente de sua derrocada ocorreu com a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, decretada pelo Banco Central em fevereiro de 2026. Embora Lima tivesse obtido autorização para controlar a instituição apenas em julho de 2025, o conglomerado — que detinha ativos e captações bilionárias — foi retirado do mercado pelo regulador. A medida reforça o isolamento do empresário que, de dono de um paraíso privado na Bahia, passou a ser o pivô de um escândalo que atinge o coração do sistema financeiro e das relações políticas brasileiras.

 


Siga-nos no Google News Portal CM7

Banner Rodrigo Colchões

Banner 1 - Portal CM7


Carregar mais