Brasília Amapá Roraima Ceará Pará |
Manaus
35º

Mais Dinheiro: Roberto Cidade critica “velha política”, mas carrega a conta de quase R$ 1 bilhão em dívidas da saúde do governo Wilson Lima

Compartilhe
Mais Dinheiro: Roberto Cidade critica “velha política”, mas carrega a conta de quase R$ 1 bilhão em dívidas da saúde do governo Wilson Lima

Amazonas – Durante evento político realizado na noite desta quinta-feira (30), o governador Roberto Cidade afirmou que adversários estariam usando influência política para impedir o repasse de recursos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS) no Amazonas. A declaração chamou atenção pelo tom de cobrança, já que Cidade ocupou a presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e foi um dos principais aliados políticos do ex-governador Wilson Lima durante a gestão estadual.

Sem citar nomes, Cidade afirmou que grupos políticos estariam atuando para dificultar a liberação de verbas federais, prejudicando diretamente a população.

“Tem políticos que tentam atrapalhar. Para vocês terem ideia, nós temos cadastrado no Governo Federal mais de R$ 700 milhões que poderiam estar nas contas do SUS. Esse dinheiro faz muita falta, mas a velha política atrapalha, bota o dedo no sistema, usa sua força, não para prejudicar o governador Roberto Cidade ou o governador Wilson Lima, mas para prejudicar o povo, para prejudicar a nossa população”, declarou.

A crítica, porém, ocorre em um cenário no qual Cidade esteve diretamente ligado à estrutura política que sustentou o governo anterior. Como presidente da Aleam, ele foi apontado como um dos principais aliados de Wilson Lima no Legislativo estadual, participando da articulação entre Executivo e Parlamento durante anos da administração que agora deixa como herança desafios na área da saúde.

Em 2026, os números oficiais do próprio Estado revelam uma rede de saúde sustentada por vínculos considerados frágeis e por mecanismos emergenciais que se tornaram permanentes. A contratação temporária, prevista pela Lei estadual nº 3.232/2008 para situações de excepcional interesse público, passou a representar uma parcela significativa da força de trabalho da saúde.

São 6.414 profissionais contratados temporariamente em 2026, sendo que 94% deles já ultrapassaram o limite legal de dois anos previsto originalmente para esse tipo de vínculo.

Além disso, parte dos serviços médicos foi paga sem contratos regulares. O Estado desembolsou R$ 221,4 milhões em pagamentos indenizatórios, modalidade usada quando há reconhecimento de uma dívida por serviços prestados sem um contrato formal vigente.

A situação financeira também expõe dificuldades na manutenção da rede. O Amazonas iniciou 2026 com quase R$ 1 bilhão em obrigações de exercícios anteriores na área da saúde, referentes a despesas que não foram quitadas dentro do prazo previsto.

Esse modelo de funcionamento foi construído durante a gestão de Wilson Lima, que governou o Estado desde 2019 até sua renúncia em abril de 2026. Após a saída de Lima, Roberto Cidade assumiu o comando do Executivo estadual, mantendo a mesma base política que sustentava a administração anterior.

Durante o evento, Cidade também defendeu a continuidade do projeto político e pediu mais quatro anos de mandato para realizar o que chamou de “melhor governo da história do Amazonas”.

“Não estou pedindo oportunidade por possíveis oito anos. Estou pedindo oportunidade para apenas quatro anos para fazer o melhor governo da história do estado do Amazonas. O Amazonas não pode voltar para o passado. O Amazonas tem que ser projetado para o futuro. Governar esse estado precisa ter dinâmica, diálogo e fazer as coisas acontecerem”, afirmou.

A declaração sobre a necessidade de superar a “velha política” ganhou tom irônico diante do histórico recente: o atual governador foi justamente uma das principais figuras políticas que ajudaram a sustentar, dentro da Assembleia Legislativa, a gestão que agora precisa responder pelos problemas acumulados na saúde pública estadual.

Enquanto o discurso aponta obstáculos externos para a chegada de recursos, os dados oficiais mostram que a crise também envolve questões internas de gestão: contratos precários, pagamentos indenizatórios e dívidas acumuladas que continuam impactando profissionais, fornecedores e usuários do sistema público de saúde.

A pergunta que permanece é se a mudança prometida representa uma nova direção para a saúde do Amazonas ou apenas a continuidade de um modelo que, até agora, mantém a população dependente de soluções emergenciais.

Veja vídeo 


Siga-nos no Google News Portal CM7

Banner Rodrigo Colchões Abaixo do Post


Carregar mais