Lula pressiona Fachin e cobra por ‘solução’ na crise no STF
Brasil – Em meio a um revés nas pesquisas eleitorais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou publicamente o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, por uma solução para a recente escalada de tensões entre os magistrados da Corte. A declaração, feita na quarta-feira, ocorre logo após uma sessão plenária marcada por bate-bocas institucionais e coincide com a divulgação de novos números que mostram um acirramento na disputa pela presidência.
Durante entrevista ao canal do YouTube Desce a Letra Show, o chefe do Executivo criticou a troca de acusações públicas no plenário. Lula enfatizou que a sociedade não deveria assistir a esse tipo de “denuncismo” diariamente e cobrou responsabilidade de Fachin para não permitir que o clima conturbado atrapalhe o processo eleitoral. Segundo o presidente, a crise gira em torno das investigações envolvendo o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro, a quem Lula se referiu como “mafioso”.
O petista defendeu uma investigação minuciosa para identificar a responsabilidade de todos os envolvidos, ressaltando que a Suprema Corte não pode ter sua história manchada. Em sua avaliação, o banqueiro acabou envolvendo diversas autoridades na situação, o que gerou uma expectativa na sociedade sobre as motivações por trás das atitudes dos ministros. Lula frisou que é importante que a verdade apareça para “limpar o país”.
O posicionamento enfático do chefe do Executivo acontece em um momento de alerta para o governo nas intenções de voto. O mais recente levantamento da Quaest apontou, pela primeira vez nesta campanha, uma vantagem numérica do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno. O parlamentar aparece com 42% da preferência do eleitorado, contra 40% do atual presidente, o que configura um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
O estopim para as declarações de Lula foi a tumultuada sessão do STF realizada na terça-feira, que evidenciou o racha na Corte. Os ministros se reuniram inicialmente para decidir se o ministro Alexandre de Moraes deveria ser investigado devido a supostas trocas de mensagens com Vorcaro no dia em que o empresário foi preso em São Paulo. O debate descambou para o caos, com ofensas, gritos e dedos em riste, culminando em um embate direto entre os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes.
Na votação daquele dia, o plenário avaliava um pedido para a análise conjunta dos casos. O placar chegou a 4 a 3 a favor de manter os processos separados, reunindo os votos de Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia, em oposição à unificação defendida por Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. A decisão final acabou adiada após um pedido de vista do ministro Flávio Dino, que terá até 90 dias para devolver o processo à pauta. Essa indefinição também lança dúvidas sobre a realização das próximas sessões, que deverão julgar, inclusive, a conduta do próprio ministro André Mendonça na relatoria do caso Banco Master.

