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Liquidado e sob investigação: Banco Master recebeu mais de R$ 350 milhões do Governo do Amazonas

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Liquidado e sob investigação: Banco Master recebeu mais de R$ 350 milhões do Governo do Amazonas

Manaus – Entre 2019 e a primeira metade de 2026, os cofres públicos do Estado do Amazonas destinaram exatos R$ 358.942.488,32 a operações financeiras ligadas ao Banco Master S/A. Um recente levantamento que reúne as maiores empresas beneficiadas por recursos estaduais revela que esses pagamentos foram operacionalizados por meio da Avancard Financiamento, que figura na 44ª posição entre os maiores credores do Estado.

No Amazonas, a Avancard atua em estreita parceria com o Banco Master, sendo a responsável por operar os serviços de cartões e empréstimos consignados oferecidos aos servidores públicos. É por meio dessa engrenagem financeira que o governo estadual se viu conectado a uma instituição que acabou liquidada e transformada em alvo de diversas operações policiais.

Os polpudos repasses ocorreram em um período no qual o Banco Master passou a ser investigado por órgãos de controle e pela Polícia Federal. Após apresentar problemas de liquidez e levantar suspeitas com a oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de altíssima rentabilidade, as apurações indicaram suspeitas de gestão fraudulenta, manipulação de balanços e emissão de títulos sem lastro.

O estopim da crise ocorreu em novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição. Na mesma época, a Polícia Federal deflagrou a “Operação Compliance Zero”, que culminou na prisão de Daniel Vorcaro, então controlador do banco.

Os dados demonstram fortes oscilações nos valores pagos pelo Governo do Amazonas à Avancard/Banco Master ao longo dos anos, com um salto expressivo e pico de repasses no ano de 2021. Veja a evolução dos pagamentos:

 

2019: R$ 50,8 milhões

2020: R$ 16,5 milhões

2021: R$ 106,9 milhões

2022: R$ 58,8 milhões

2023: R$ 55,8 milhões

2024: R$ 39 milhões

2025: R$ 15,6 milhões

2026 (até junho):  R$ 15,19 milhões

A sombra sobre a Previdência Estadual

O caso tomou proporções ainda maiores quando os negócios da instituição cruzaram o caminho da aposentadoria dos servidores estaduais. Em fevereiro de 2026, a 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Manaus determinou a suspensão dos repasses de empréstimos consignados de servidores vinculados à Fundação Amazonprev destinados ao banco.

A medida judicial foi solicitada pelo próprio Governo do Estado e pela Amazonprev após a divulgação de um investimento direto de R$ 50 milhões em Letras Financeiras da instituição. Com a decisão, os valores dos consignados passaram a ser depositados em uma conta judicial, visando preservar os recursos previdenciários enquanto as apurações seguem.

A situação da previdência tornou-se alvo da “Operação Sine Consensu”, deflagrada pela PF em março de 2026, em Manaus. A ação investiga a aplicação de até R$ 390 milhões da previdência estadual em Letras Financeiras privadas com destaque para o Banco Master, apurando se houve descumprimento de critérios de governança e normas federais.

Respostas e fiscalização

Diante do escândalo em curso, o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), por meio do Ministério Público de Contas (MPC), abriu um procedimento próprio para analisar os critérios técnicos utilizados nas operações financeiras.

Em nota oficial, a Amazonprev informou que colabora com as investigações e afirmou já ter afastado os servidores citados no inquérito. A instituição declarou ainda que o Fundo de Previdência do Amazonas permanece superavitário, sem qualquer comprometimento do pagamento de aposentados e pensionistas.


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