“Jogo de cartas marcadas”: Adjuto Afonso revela plano para manter Roberto Cidade no Governo do Amazonas; veja vídeo

Manaus – O que deveria ser um processo de transição e eleição indireta cercado por ritos constitucionais e debates democráticos parece já ter um vencedor antecipado no Amazonas. Um “ato falho” cometido pelo deputado Adjuto Afonso (União) durante o encerramento de uma sessão solene na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) revelou que a base governista já possui uma estratégia consolidada para efetivar Roberto Cidade (União) no comando do Executivo Estadual.
O episódio ocorreu logo após a vacância dos cargos de governador e vice-governador do Estado. Ao assumir temporariamente os trabalhos e encerrar a sessão, Adjuto Afonso dirigiu-se a Roberto Cidade em tom de cumplicidade e antecipou o resultado do pleito que ainda nem foi oficialmente convocado:
“Desde já, desejo muito êxito ao nosso futuro… nosso governador interino, mas breve, breve não será mais interino, com certeza. E que vai certamente continuar contando com esta casa.”, declarou o deputado. Veja vídeo:
A frase, proferida entre sorrisos e aplausos dos parlamentares presentes, joga luz sobre o jogo de “cartas marcadas” nos bastidores da política amazonense, esvaziando o caráter de disputa da iminente eleição indireta.
O rito constitucional x A manobra política
Para entender a manobra, é necessário observar o que diz a lei. Conforme explica a Dra. Luziane Figueiredo, especialista em Direito Constitucional, a Constituição Federal e a do Amazonas estabelecem que, havendo vacância dos cargos de governador e vice nos últimos dois anos de mandato, a eleição deve ser feita de forma indireta pela Assembleia Legislativa.
Pela linha sucessória natural, o presidente da Aleam, cargo ocupado por Roberto Cidade, assume interinamente. No entanto, a Dra. Luziane destaca um detalhe crucial da legislação: para ser o “candidato tampão” nessa eleição indireta, é provável que Cidade decline do cargo de presidente da Aleam. Com isso, o governo interino “cai no colo” do presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), que terá até 30 dias para convocar e organizar o pleito.
Segundo as regras constitucionais detalhadas pela especialista, qualquer cidadão com mais de 30 anos, filiado a um partido e no gozo de seus direitos políticos pode, em tese, se candidatar assim que o edital for publicado. A votação feita pelos deputados pode ser aberta, secreta ou nominal. Contudo, a fala de Adjuto Afonso indica que todo esse rito será apenas uma formalidade para chancelar um acordo político já selado.
De olho em 2026
A consolidação antecipada de Roberto Cidade revela mais do que a simples sucessão de um mandato tampão; escancara o projeto de poder do grupo político ligado ao ex-governador Wilson Lima (União). Ao garantir a vitória de Cidade na Aleam, o grupo assegura a manutenção do controle da máquina pública do Estado nas mãos do União Brasil.
Além disso, quem vencer essa eleição indireta assume o cargo para cumprir o restante do mandato e, como pontuado pela Dra. Luziane, ganha o direito de concorrer à reeleição direta sem precisar deixar o cargo. Dessa forma, Roberto Cidade é colocado em uma posição de extrema vantagem, consolidando-se como o “candidato da máquina” para as eleições gerais de 2026.
Enquanto o prazo de 30 dias para o pleito começa a correr, o clima nos corredores da Aleam já é de “missão cumprida”. Resta agora observar como as forças de oposição e a sociedade civil reagirão à naturalização de um processo de escolha que, embora previsto em lei, está sendo conduzido não como uma disputa democrática entre os pares, mas como o anúncio festivo de um roteiro já escrito.








