Internação de Bolsonaro: STF analisa prontuário enquanto família relata fragilidade e pede prisão domiciliar

Brasil — O estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro e as tentativas de sua defesa para reverter o regime de cumprimento de pena se tornaram o foco de uma nova articulação em Brasília. Internado no Hospital DF Star desde sexta-feira (13) com um quadro de broncopneumonia bacteriana por broncoaspiração, Bolsonaro teve seu prontuário médico enviado ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na última quinta-feira (19).
O envio dos documentos — que incluem duas tomografias do pulmão e um relatório médico detalhado — foi uma exigência de Moraes antes de tomar uma decisão sobre o novo pedido de prisão domiciliar protocolado pela defesa na terça-feira (17).
O Quadro Clínico
Atualmente na ala semi-intensiva (após deixar a UTI na segunda-feira, 16), o ex-presidente está consciente, estável e respira sem a ajuda de aparelhos, mas não há previsão de alta. O relatório médico entregue ao STF detalha as seguintes complicações e tratamentos:
- Infecção e Rins: O paciente apresentou “injúria renal aguda” e está sendo tratado com três antibióticos por via endovenosa.
- Prazo de Medicação: O ciclo de medicação intravenosa deve durar pelo menos 14 dias, estendendo-se até 27 de março.
- Prevenção: Há indicação de monitoramento 24 horas para evitar uma nova broncoaspiração, agravada pelo histórico de cirurgias abdominais e crises de soluço.
- Terapias: Bolsonaro passa por sessões de fisioterapia respiratória e motora.
Relato de Fragilidade
Os fortes medicamentos têm causado efeitos colaterais severos, conforme relatado pelo vereador Carlos Bolsonaro (PL) após uma visita ao pai. Segundo o vereador, a sensibilidade do ex-presidente está alterada e ele utiliza uma pulseira de “Risco de Queda”.
“Ao entrar no quarto, me deparei com aquele homem forte ‘apagado’ na cadeira, com a cabeça baixa, soluçando enquanto dormia”, relatou Carlos em suas redes sociais, descrevendo o momento como um dos dias mais difíceis e afirmando sair do hospital “destruído”. Ele notou que, ao tocar no pai, o ex-presidente sequer reagiu em função das fortes medicações.
Articulação Jurídica e Política
O esforço para transferir Bolsonaro para prisão domiciliar envolve frentes jurídicas e políticas. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou ativamente da reunião com Alexandre de Moraes na terça-feira, argumentando que o quadro clínico do pai tende a piorar caso ele retorne à prisão e sofra alguma intercorrência sozinho.
Nos bastidores, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), articulam apoio para a transferência. Aliados do ex-presidente avaliam que o desgaste das investigações do caso Banco Master e a pressão interna no Supremo podem pesar a favor do pedido.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses por suposto envolvimento em uma trama de golpe de Estado. Desde janeiro, por determinação de Moraes, ele havia sido transferido da Polícia Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar (a “Papudinha”), local que, segundo a ordem judicial, já dispõe de atendimento médico integral 24 horas. O STF agora avaliará se a estrutura prisional atende às novas exigências médicas do paciente.








