Histórico judicial do vereador Coronel Rosses acumula acusações de violência e ameaças contra a ex-mulher; veja

Manaus – A política frequentemente apresenta paradoxos, mas poucos são tão evidentes quanto a trajetória do vereador Ubirajara Rosses do Nascimento Júnior, conhecido publicamente como o vereador Coronel Rosses e que agora é pré-candidato a deputado Federal. Eleito em 2024 sob a forte bandeira da defesa da “família e dos bons costumes” pelo Partido Liberal (PL), o parlamentar ocupa hoje a prestigiada presidência da Comissão de Segurança Pública da Câmara Municipal. No entanto, uma investigação aprofundada, baseadas em consultas oficiais ao sistema do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), revela uma face oculta e sombria. Os documentos expõem um rastro sistemático de acusações que envolvem violência doméstica, abuso de autoridade, destruição de propriedades vulneráveis que se estendem por mais de duas décadas, contrastando de forma brutal com o discurso moralista proferido nas tribunas e nas redes sociais do político.
Os documentos processuais revelam detalhes assustadores sobre o relacionamento do parlamentar com uma ex, com quem coabitou entre janeiro e maio de 2017 e tem uma filha. Em seu depoimento, a vítima relatou que já sofria agressões verbais e ameaças constantes, chegando a retirar medidas protetivas anteriores a pedido do irmão do autor. O nível de violência escalou de forma drástica no dia 31 de agosto de 2017, durante uma discussão no condomínio onde a vítima estava. Ao se aproximar do carro do militar, a mulher foi recebida aos gritos de “O que tu quer, sua vagabunda? Você acabou com minha vida, tu e tua mãe são duas vagabundas”.

O ataque culminou em um violento tapa desferido de dentro do veículo, atingindo o lábio superior da vítima na frente de uma testemunha ocular. O laudo de corpo de delito n° 16.731/2017 confirmou o ataque, atestando um ferimento contuso e uma placa equimótica violácea compatível com “lesão de defesa” na mão esquerda da mulher.



O cerco à vítima ultrapassou as agressões físicas e se transformou em uma perseguição cibernética humilhante. O inquérito policial detalha que, em abril de 2019, enquanto a enfermeira trabalhava em seu plantão no Hospital 28 de Agosto, o vereador enviou uma enxurrada de mensagens injuriosas pelo aplicativo WhatsApp. Nos textos anexados aos autos do processo n° 0620793-56.2019.8.04.0001, o Coronel disparou ofensas misóginas cruéis como “Foda-se você”, “Tu é uma puta, tu gasta o dinheiro da menina com passagem” e “Deve ser uma puta cara mesmo”. Esse intenso terror psicológico obrigou a vítima a registrar um novo boletim de ocorrência, solicitando uma medida protetiva urgente com proibição imediata de aproximação e a severa restrição do porte de armas do militar.










Diante de um acervo probatório tão robusto e detalhista, a narrativa de defensor da moralidade construída pelo parlamentar desmorona perante a sociedade. A realidade dos fatos mostra que é o contrário do que ele prega nas tribunas, pois, além dessas denúncias detalhadas de agressão covarde, há também outros escândalos.
A agressividade cibernética se estendeu a outras vítimas, revelando um padrão contínuo de perseguição e intimidação. Em 2020, os ataques digitais resultaram em um pedido de prisão preventiva formulado por Francilides Corrêa Ribeiro, motivado por reiterados crimes de difamação e injúria via redes sociais.
O relatório investigativo cita também processos na Justiça Militar Estadual, incluindo uma grave denúncia contra o Tenente-Coronel por crime contra a administração militar ocorrido em Nova Olinda do Norte, onde a vítima era menor de idade. Na ocasião, Rosses foi afastado das funções de comando. É o contrário do que prega o parlamentar, revelando um padrão de conduta desastroso em ambientes que deveriam ser de proteção.


A truculência do Coronel Rosses deixou marcas profundas também em comunidades urbanas e nas próprias instituições do Estado. O documento relembra a violenta operação de reintegração de posse na Ocupação Urbana Novo Paraíso (2009-2012), onde moradores relataram espancamentos e tiveram suas casas demolidas e queimadas sob a coordenação do então policial militar. Essa hostilidade afetou a própria PMAM, que em fevereiro de 2025 instaurou um processo disciplinar pedindo a expulsão do oficial devido a publicações difamatórias no Instagram. O descontrole transborda frequentemente para o convívio público, a exemplo do episódio recente em maio de 2026, quando estudantes da UFAM o expulsaram do campus após ele apontar o dedo no rosto de um professor e chamá-lo de “canalha”.
Veja documentos:






