Governo Roberto Cidade retira sete PMs de Borba, e moradores temem avanço da violência; veja documentos
Amazonas – A transferência de sete policiais militares da 9ª Companhia Independente de Polícia Militar (9ª CIPM), em Borba, para Manaus acende um novo alerta sobre a segurança pública no interior do Amazonas. Enquanto o discurso oficial aponta para o fortalecimento das forças de segurança, municípios do interior continuam enfrentando efetivos reduzidos, dificuldades estruturais e grandes distâncias para o atendimento de ocorrências.
As transferências foram oficializadas por portarias assinadas pelo comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas, coronel Marcos Klinger dos Santos Paiva, sob a justificativa de “necessidade do serviço”.
A medida preocupa porque Borba possui população estimada em 34.869 habitantes e uma área territorial de aproximadamente 44.644 km². O tamanho do município exige uma estrutura policial capaz de atender tanto a sede quanto comunidades rurais e áreas isoladas, muitas delas de difícil acesso.
Com a saída dos oito militares, informações repassadas à reportagem apontam que a unidade poderá ficar com apenas quatro policiais na tropa, além do comandante. Caso o número seja confirmado oficialmente, a redução representa uma situação crítica para o policiamento local.
Na prática, uma tropa tão pequena precisa dividir esforços entre patrulhamento, atendimento de ocorrências, deslocamentos e situações emergenciais. Quando uma ocorrência de maior gravidade exige a mobilização dos policiais, outras regiões podem ficar momentaneamente sem a mesma capacidade de resposta.
Interior enfrenta velho problema
O caso de Borba também expõe uma realidade que ultrapassa os limites do município. A segurança pública no interior do Amazonas enfrenta há anos o desafio de manter efetivos compatíveis com a extensão territorial e com as necessidades da população.
Em cidades onde comunidades ficam a horas de distância da sede e o deslocamento muitas vezes depende de rios, a presença de policiais é ainda mais importante. Reduzir o efetivo significa diminuir a capacidade de patrulhamento e pode aumentar o tempo necessário para que uma equipe chegue até uma ocorrência.
Segurança não pode parar na capital
O episódio reacende a discussão sobre a distribuição do efetivo policial no Amazonas. Manaus concentra a maior parte da população do Estado e também enfrenta graves problemas de segurança, mas o interior não pode ser tratado como uma segunda prioridade.
Para quem vive em municípios distantes da capital, a presença do Estado muitas vezes começa e termina na estrutura disponível da polícia local.
Quando faltam policiais, viaturas ou equipes suficientes, a população fica mais vulnerável e a capacidade de resposta diminui.
O Governo do Amazonas e o comando da PMAM precisam esclarecer qual será o planejamento para Borba após a transferência dos oito militares, se haverá reposição do efetivo e como será garantido o patrulhamento de um município com quase 35 mil habitantes e mais de 44 mil km².
A segurança pública precisa estar presente em todo o Amazonas — não apenas onde existe maior concentração populacional. Para quem mora no interior, um policial a menos pode significar quilômetros a mais entre a ocorrência e o socorro.
Veja documentos


