Governo Lula convoca reunião de emergência após Trump capturar Maduro
Brasil – O governo brasileiro reagiu rapidamente ao anúncio surpreendente feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que forças americanas capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, após uma operação militar de grande escala na Venezuela. Ministros e assessores próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram convocados para uma reunião de emergência marcada para as 10h deste sábado, no Palácio do Itamaraty, em Brasília.
Segundo fontes do alto escalão do governo, o encontro visa discutir os impactos diplomáticos, regionais e humanitários da ação estadounidense, que incluiu ataques aéreos e explosões reportadas em Caracas e outras regiões venezuelanas durante a madrugada. Trump afirmou em suas redes sociais que Maduro foi removido do poder e levado para fora do país, onde enfrentará acusações de narcoterrorismo nos EUA – charges que pesam contra ele desde 2020.
Lula, que está de férias na Base Naval da Restinga da Marambaia, no litoral do Rio de Janeiro, já foi informado diretamente por seus assessores sobre o anúncio de Trump. Há expectativa de que o presidente participe da reunião de forma remota, via videoconferência. Até o momento, o petista avalia a possibilidade de antecipar seu retorno a Brasília, originalmente previsto apenas para a próxima segunda-feira (6). Assessores indicam que Lula tem acompanhado de perto as tensões entre Washington e Caracas nos últimos meses, tendo inclusive orientado auxiliares a buscar canais de diálogo para evitar escaladas militares.
A convocação da reunião reflete a preocupação do governo brasileiro com a estabilidade na América Latina. Nos últimos anos, o Brasil tem defendido soluções negociadas para a crise venezuelana, com Lula posicionando-se como mediador potencial entre Maduro e opositores, além de criticar intervenções unilaterais. A ação dos EUA, comparada por analistas à invasão do Panamá em 1989, pode alterar drasticamente o equilíbrio regional, afetando fluxos migratórios, comércio e segurança nas fronteiras.
O Ministério das Relações Exteriores ainda não emitiu nota oficial, mas diplomatas brasileiros já entraram em contato com autoridades venezuelanas para monitorar a situação no país vizinho, onde o vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente o comando e declarou estado de emergência. A reunião no Itamaraty deve definir os próximos passos da diplomacia brasileira, incluindo possíveis posicionamentos no Mercosul, na ONU e em fóruns regionais.


