“Governador fantasma”: Rodoviários atacam Roberto Cidade por atraso e Renato Júnior diz que Prefeitura não deve nada; veja vídeo

Manaus – O impasse financeiro no transporte coletivo ganhou novos capítulos após representantes das empresas de ônibus e o prefeito Renato Júnior responsabilizarem o Governo do Amazonas pela falta de pagamento das passagens utilizadas por estudantes da rede estadual. Segundo os números apresentados, a cobrança acumulada chegaria a aproximadamente R$ 90 milhões.
As declarações foram feitas em meio à crise que resultou em atraso salarial, paralisação dos rodoviários e intervenção da Justiça do Trabalho. Os valores e responsabilidades mencionados correspondem às versões apresentadas pelo Sinetram e pela Prefeitura de Manaus e ainda são discutidos judicialmente.
Impasse começou com o passe estudantil
De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas, o problema teria começado após mudanças na forma de pagamento do benefício destinado aos alunos da rede estadual.
Mesmo sem um entendimento definitivo entre Estado, Município e empresas, os estudantes teriam continuado utilizando os ônibus. O Sinetram afirma que manteve o serviço para não deixar os alunos sem transporte, mas não recebeu integralmente pelos embarques realizados.
Uma liminar teria determinado que o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana e o sindicato patronal autorizassem a venda direta das passagens ao Governo do Amazonas pelo valor público de R$ 2,50.

Na interpretação das empresas, o Estado deveria adquirir os créditos e indicar os estudantes beneficiados. O Sinetram sustenta que o modelo não foi cumprido integralmente e que os débitos continuaram se acumulando.
Sistema registra os embarques individualmente
Durante a apresentação, o sindicato informou que o Estado cadastrou mais de 153 mil estudantes com direito ao benefício. Esse número, porém, não corresponderia ao total de usuários que efetivamente utilizaram os ônibus todos os meses.
Segundo a entidade, aproximadamente 37 mil estudantes passaram pelo sistema em fevereiro. Nos meses seguintes, o número teria variado entre 42 mil e 45 mil usuários.
Os dados seriam registrados por meio dos cartões estudantis e poderiam ser auditados com informações como CPF, nome, instituição de ensino e quantidade de embarques.
O Sinetram explicou ainda que consegue identificar o uso do cartão, mas não tem competência para verificar se o aluno compareceu à escola. O controle de frequência, conforme a entidade, é responsabilidade das instituições de ensino.
Empresas apontam pendências de 2025 e 2026
Conforme os números divulgados, o transporte dos estudantes estaduais teria custado cerca de R$ 52 milhões em 2025. Desse total, aproximadamente R$ 31,8 milhões teriam sido pagos, restando uma diferença próxima de R$ 21 milhões.
Para 2026, o sindicato citou valores mensais entre R$ 4 milhões e R$ 4,9 milhões. A pendência acumulada entre fevereiro e junho teria alcançado cerca de R$ 44,6 milhões.
Após incluir outros valores relacionados ao período discutido, o Sinetram afirma ter R$ 90.184.740,19 a receber.
A entidade também argumenta que o valor de R$ 2,50 pago por estudante não cobre integralmente despesas como salários, combustível, peças, pneus e manutenção. O restante precisaria ser compensado por recursos públicos.
Renato Júnior afirma que Município não possui dívida
O prefeito Renato Júnior declarou que a Prefeitura de Manaus está em dia com os repasses destinados ao transporte dos estudantes da rede municipal e com o subsídio do sistema.
Segundo ele, somente em 2026 o Município teria destinado aproximadamente R$ 278 milhões ao transporte coletivo. O prefeito afirmou possuir comprovantes bancários dos pagamentos e disse que os documentos podem ser apresentados publicamente.
Renato Júnior declarou que tentou estabelecer diálogo institucional com o governador Roberto Cidade, mas não teria conseguido avançar nas tratativas.
“O Governo do Estado está devendo o repasse do passe livre dos alunos estaduais. A Prefeitura não deve o benefício dos estudantes municipais”, afirmou.
Prefeito critica Governo do Amazonas
Durante a manifestação, Renato Júnior elevou o tom e acusou o governador de não assumir a responsabilidade pelos alunos da rede estadual que utilizam o transporte em Manaus.
O prefeito afirmou que não permitirá a retirada da gratuidade dos estudantes e defendeu que o Estado apresente os comprovantes dos supostos pagamentos.
Segundo ele, eventuais mudanças no passe estudantil estadual afetam diretamente moradores de Manaus, mesmo que os alunos estejam matriculados em escolas administradas pelo Governo do Amazonas.
Sinetram alerta para risco de colapso
As empresas afirmam que passaram a recorrer a empréstimos, renegociação de dívidas e recursos próprios para pagar salários e manter os ônibus em circulação.
Segundo o Sinetram, o sistema chegou a um limite financeiro e não teria mais condições de continuar operando sem o recebimento dos valores cobrados.
A entidade defende que Prefeitura, Governo do Amazonas, empresas e trabalhadores encontrem uma solução definitiva para impedir novos atrasos salariais e paralisações.
Até o momento, o material apresentado não inclui uma resposta detalhada do Governo do Amazonas sobre o montante de R$ 90 milhões nem sobre as acusações feitas pelo prefeito e pelos representantes do transporte coletivo.


