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Fraude de R$ 6,3 bilhões no INSS: propostas de delação de ex-diretores e lobista estão paralisadas

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Fraude de R$ 6,3 bilhões no INSS: propostas de delação de ex-diretores e lobista estão paralisadas
Brasil – Enquanto a Polícia Federal (PF) avança em ritmo acelerado nas frentes ostensivas do escândalo de fraudes do INSS — como a recente Operação Sem Desconto e a abertura de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) —, uma peça fundamental do quebra-cabeça encontra-se paralisada. Há mais de quatro meses, propostas de colaboração premiada de quatro personagens centrais do esquema bilionário aguardam um parecer definitivo da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O impasse levanta preocupações nos bastidores. Com as negociações em “banho-maria” e a investigação seguindo seu curso, as defesas dos potenciais delatores temem que as informações já fornecidas sejam utilizadas pelos investigadores antes da assinatura oficial dos acordos, o que esvaziaria os benefícios penais esperados pelos acusados.

O Esquema e o Peso dos Anexos

O escândalo gira em torno de fraudes milionárias operacionalizadas por meio de Acordos de Cooperação Técnica (ACT). Sem a autorização dos pensionistas, entidades e sindicatos realizavam descontos ilegais nas aposentadorias. Estima-se que, entre 2019 e 2024, a organização criminosa tenha desviado cerca de R$ 6,3 bilhões.

Embora o conteúdo das propostas de delação seja mantido em sigilo absoluto, sabe-se que os anexos apresentados prometem abalar as estruturas de Brasília. Os relatos detalham desde a engenharia financeira usada para manter os descontos ilegais até o envolvimento de políticos com foro privilegiado, além de menções a figuras como Fábio Luís da Silva (o Lulinha) e o líder de facção conhecido como Marcola.

Os “Heróis” e os Operadores: Quem São os Potenciais Delatores

Quatro nomes que operavam no coração do esquema tentam agora fechar acordos de colaboração. Eles contrastam com outros alvos já presos, como o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e Antonio Carlos Antunes (o “Careca do INSS”), que até o momento não buscaram a via da delação. Os postulantes a delatores são:
  • Virgílio Oliveira (Ex-procurador-geral do INSS): Apelidado nas planilhas do esquema de “Herói V”, Oliveira teria viabilizado descontos indevidos para mais de 6 milhões de aposentados, recebendo R$ 7,5 milhões de propina do “Careca”. Preso em Curitiba, ele assinou um termo de confidencialidade em janeiro e entregou mais de 120 páginas de anexos em abril, prometendo devolver todo o dinheiro desviado. Seu caso segue sem resposta.

  • André Fidelis (Ex-diretor de benefícios do INSS): Identificado como “Herói A”, Fidelis é acusado de facilitar as fraudes internas. Segundo as investigações, ele recebia propinas mascaradas por meio do escritório de advocacia de seu filho. Seus anexos foram entregues em março, mas também não houve avanço formal. Ambos, Fidelis e Oliveira, já foram indiciados na frente da investigação que apura irregularidades na Contag, a maior entidade envolvida no caso.

  • Eric Douglas Fidelis (Advogado): Filho de André Fidelis, cumpre prisão domiciliar. Seu escritório teria sido o canal para o repasse de propinas e mantinha relações diretas com as entidades investigadas. Apresentou sua proposta junto com o pai, em março.

  • Maurício Camisotti (Empresário e Lobista): Apontado como o operador financeiro do esquema, Camisotti controlava três entidades que faturaram mais de R$ 1 bilhão. As investigações do Coaf revelaram condutas extremas, como 17 saques que totalizaram R$ 7,2 milhões em dinheiro vivo entre 2018 e 2025. Após uma primeira tentativa fracassada em fevereiro — feita sem a participação do Ministério Público —, uma nova proposta foi elaborada, mas ainda carece de qualquer indicativo de homologação.
Enquanto o sinal verde não vem da PGR e da cúpula da Polícia Federal, o futuro das investigações e a possibilidade de se mapear a totalidade dos beneficiários políticos e financeiros deste rombo histórico no INSS permanecem em uma espécie de limbo jurídico.

Créditos da informação: Matéria baseada em apuração original da jornalista Malu Gaspar, com a colaboração de Johanns Eller, publicada no jornal O Globo.


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