Fracasso de gestão: nota 1 em Medicina na Fametro pode enterrar os planos políticos de Maria do Carmo
Manaus – A reprovação vergonhosa do curso de Medicina da Fametro no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) expõe o fracasso retumbante da gestão de Maria do Carmo Seffair, que agora tenta se projetar como pré-candidata ao Governo do Amazonas pelo PL.
Com conceito 1 — a nota mais baixa possível, equivalente a um vexame total —, o curso da instituição comandada por ela integra a lista dos 107 cursos de medicina reprovados no Brasil, entre 351 avaliados pelo MEC. Isso significa que, a partir de 2026, a Fametro enfrentará sanções pesadas: redução drástica de vagas, risco de suspensão de vestibulares e até intervenção federal se não houver melhora imediata. Enquanto o Amazonas clama por mais médicos qualificados para atender o interior e fortalecer o SUS, a principal faculdade de saúde da capital entrega profissionais formados com qualidade questionável.
Maria do Carmo, que por décadas se apresentou como a “dona” da educação superior no Norte, expandiu a Fametro de forma agressiva, priorizando quantidade sobre qualidade. Mas quando o Enamed — uma prova rigorosa que mede o real preparo dos concluintes — colocou sua gestão na parede, o resultado foi devastador: nota 1, reprovação coletiva e exposição nacional do descaso.
Parece claro o que aconteceu: nos últimos anos, a empresária trocou o foco da administração acadêmica por ambições políticas. Filiada ao PL desde 2025, ela foi lançada como pré-candidata ao governo estadual, com aval até de Valdemar Costa Neto. Passou a circular em eventos partidários, postar em redes sociais sobre “missão” e “revolução na gestão pública”, e posar de defensora do povo amazonense — tudo isso enquanto sua principal instituição afundava em avaliações federais.
O timing não poderia ser pior: o Enamed foi divulgado em janeiro de 2026, bem no início do ano eleitoral, e joga por terra o discurso de competência que ela tenta vender. Como alguém que não consegue gerir direito uma faculdade de medicina pretende administrar um estado inteiro, com orçamento bilionário, saúde pública em colapso e desafios logísticos imensos?
A Fametro, outrora símbolo de expansão educacional, agora vira sinônimo de negligência. E Maria do Carmo, que se autodenomina “professora” e “empresária de sucesso”, revela-se incapaz de equilibrar negócios e política sem prejudicar a formação de futuros médicos — profissionais que o Amazonas mais precisa.
Punições
As punições para cursos de Medicina que obtêm nota 1 (ou conceito 1) no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) são definidas pelo MEC (Ministério da Educação) com base nos resultados divulgados em janeiro de 2026 para a edição de 2025. Elas são graduadas conforme o percentual de proficiência dos concluintes (quanto menor o percentual, mais graves as sanções) e visam proteger a qualidade da formação médica.
O Enamed considera insatisfatório o desempenho abaixo de 60% de proficiência. Cursos com conceito 1 (o pior) enfrentam medidas mais severas que os de conceito 2. As sanções valem até a próxima edição do Enamed (prevista para outubro de 2026) e afetam principalmente instituições privadas e federais (cursos estaduais/municipais não são diretamente punidos pelo MEC).
Principais punições para cursos com nota 1 no Enamed:
– Suspensão total ou parcial de novos ingressos (proibição de abrir vestibular ou receber novos alunos em turmas iniciais) — aplicada especialmente nos casos mais graves.
– Redução drástica de vagas (ex.: 50% ou mais, dependendo do percentual de proficiência).
– Proibição de aumento de vagas (não pode expandir a oferta atual).
– Suspensão ou restrição no Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) — impede novos contratos de financiamento federal.
– Restrições em outros programas federais, como Prouni (bolsas) e participação em financiamentos ou incentivos do governo.
– Avaliação e supervisão intensiva pela Seres (Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior), com possibilidade de intervenção mais pesada se o desempenho não melhorar (ex.: desativação do curso em casos extremos e recorrentes).
Detalhamento por faixas de proficiência (baseado nos anúncios do MEC para Enamed 2025):
Abaixo de 30% de proficiência (8 cursos, os mais graves):
– Suspensão de ingresso de novos alunos (não pode abrir novas turmas).
– Proibição de aumento de vagas.
– Suspensão do Fies.
– Avaliação de outros programas federais.
Entre 30% e 40% (13 cursos):
– Redução de 50% das vagas.
– Proibição de aumento de vagas.
– Suspensão do Fies.
– Outras faixas dentro do conceito 1 (até cerca de 50-60%):
– redução de vagas (25% ou mais), proibição de expansão e restrições financeiras.
Os cursos têm 30 dias após a publicação oficial no Diário Oficial da União para apresentar defesa antes das sanções serem aplicadas de forma definitiva. O objetivo do MEC é forçar melhorias na infraestrutura, currículo e qualidade do ensino, já que o Enamed mede o preparo real dos formandos para atuar na saúde pública (como no SUS).
No caso específico da Fametro (mencionado na transcrição anterior), que tirou nota 1, ela se enquadra nessas penalidades — provavelmente redução significativa de vagas e risco de suspensão de novos ingressos a partir de 2026, além de impactos no Fies e Prouni, o que afeta diretamente a receita e a sustentabilidade da instituição.



