Flávio Bolsonaro revela reunião com Vorcaro, quando banqueiro estava com tornozeleira eletrônica, ‘para botar ponto final na questão’ de filme; veja vídeo

Brasil – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou, em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (19), ter se encontrado pessoalmente com o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O objetivo do encontro, ocorrido em São Paulo, foi tratar do contrato de patrocínio ao filme Dark Horse, obra que retrata a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.
A reunião aconteceu quando o banqueiro já cumpria prisão domiciliar, em decorrência da operação Compliance Zero. Segundo o parlamentar, o contato serviu para “botar um ponto final” no acordo, que, de acordo com Flávio, já vinha sendo descumprido por Vorcaro nas semanas anteriores à sua prisão.
“Situação era muito mais grave”
Flávio afirmou ter sido surpreendido ao tomar conhecimento da real dimensão da crise envolvendo a gestão do Master. “Eu fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história; dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo e o filme não correria risco”, declarou o senador.
O congressista enfatizou que, antes da operação Compliance Zero, não havia suspeitas entre parlamentares de envolvimento do Master em irregularidades. Segundo ele, Vorcaro era uma figura onipresente em eventos de alto nível, circulando entre ministros de tribunais superiores e grandes empresários, o que o tornava, à época, “acima de qualquer suspeita”.
Dificuldades e questionamentos
Sobre a decisão de realizar as gravações do filme nos Estados Unidos — escolha que levantou especulações sobre um possível uso dos recursos para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro no país —, o senador justificou a opção pela dificuldade de obter financiamento no Brasil. “As pessoas com medo de colocar os seus CPFs, de colocar a sua empresa em um simples empreendimento cultural”, argumentou.
Durante a coletiva, Flávio também direcionou críticas ao governo federal. Ele questionou a relação entre o presidente Lula e Vorcaro, citando relatos de que, em 2024, o mandatário teria recebido o banqueiro no Palácio do Planalto, na presença de Gabriel Galípolo, sugerindo que a gestão da autoridade financeira seria favorável aos interesses do empresário.
“Em primeiro lugar, é uma prova de que Roberto Campos Neto não tinha absolutamente nada a ver com a tentativa de ajudar o Banco Master. Em segundo lugar, você vê o envolvimento do próprio presidente da República praticamente aconselhando o dono do banco”, pontuou, reiterando sua defesa pela instalação de uma CPMI para investigar o caso.
Contexto das denúncias
O vínculo entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro tornou-se público na última quarta-feira (13), após o Intercept Brasil divulgar áudios e mensagens trocadas entre ambos, que indicariam a busca do senador por suporte financeiro para o projeto.
Dados apontam que cerca de US$ 10,6 milhões (aproximadamente R$ 61 milhões) teriam sido repassados para a produção cinematográfica entre fevereiro e maio de 2025, de um total negociado que chegaria a US$ 24 milhões (R$ 134 milhões). Flávio nega qualquer irregularidade, classificando o aporte como “patrocínio privado para um filme privado”, e rechaça acusações de intermediação de negócios ou recebimento de vantagens pessoais.








