“Fantasma da Magnitsky”: Trump está de olho no julgamento de Moraes no STF
Brasil – O futuro do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está no centro de uma sessão histórica da Corte nesta terça-feira (15), sob o monitoramento atento do governo de Donald Trump nos Estados Unidos. Enquanto o plenário decide se abre uma investigação contra o magistrado por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, autoridades americanas avaliam a retomada iminente das sanções da Lei Global Magnitsky contra Moraes e seus familiares. Em contrapartida, o ministro apresentou uma defesa contundente, classificando as acusações como uma farsa e denunciando uma suposta interferência estrangeira para prejudicar as eleições presidenciais de 2026. As informações foram apuradas por Mariana Sanches, do UOL; Joyce Brito, da Gazeta do Povo; e Felipe de Paula e Fausto Macedo do Estadão).
A crise no STF e as mensagens vazadas A tensão no Supremo foi deflagrada por um pedido do ministro André Mendonça, que tornou públicas supostas mensagens obtidas pela Polícia Federal. Segundo os diálogos, o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro teria pedido a Moraes orientações e informações sobre processos judiciais e policiais sigilosos. O caso ganha ainda mais gravidade pelo fato de que, no mesmo período das mensagens, o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes, fechou um contrato multimilionário com Vorcaro. O julgamento que ocorre hoje define se Moraes passará formalmente à condição de investigado.
A defesa de Moraes: “interferência estrangeira” Antecipando-se ao julgamento, Alexandre de Moraes entregou à presidência do STF uma manifestação de 44 páginas. No documento, o ministro nega qualquer irregularidade e ataca duramente o relatório da Polícia Federal, o qual classifica como “imprestável”, “farsa” e fruto de “vingança” político-eleitoral.
Moraes sustenta que os metadados do arquivo comprovam que o relatório, feito em um prazo impossível de 72 horas, não foi produzido pela PF, mas sim por um “órgão externo, provavelmente estrangeiro”. Ele denuncia a quebra da cadeia de custódia e a inserção de arquivos falsos nos sistemas da polícia. O ministro vai além e sugere que o recente afastamento do diretor da PF, Andrei Rodrigues — supostamente comemorado por autoridades internacionais, ocorreu justamente para abafar a investigação sobre a origem externa do documento. Para Moraes, trata-se de uma “clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026”, visando incriminá-lo por sua atuação contra tentativas de golpe de Estado.
A ameaça real da Lei Magnitsky O desenrolar da sessão em Brasília ditará os próximos passos de Washington. O Departamento de Tesouro dos EUA e o Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio, consideram válido o processo que já havia punido Moraes em 2025. Bastaria um aval de Rubio para que a Agência de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) reativasse imediatamente os bloqueios financeiros e as restrições contra o ministro, sua esposa e o escritório do casal. Há ainda a possibilidade de estender o mecanismo para outros ministros da Corte, como Flávio Dino e Gilmar Mendes.
A pressão externa ganha reforço com a viagem do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e do comentarista político Paulo Figueiredo a Washington nesta quarta-feira (16). Segundo fontes americanas, os encontros da dupla têm potencial para “acelerar” as punições.
O tabuleiro eleitoral de 2026 A possível retomada das sanções ocorre em um momento delicado da política nacional, com pesquisas indicando o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Lula (PT) nas simulações de segundo turno.
Apesar de a diplomacia americana afirmar que a volta da Magnitsky seria fruto de um “recálculo de prioridades” e não de motivação eleitoral, os EUA monitoram o cenário de perto. Uma pesquisa contratada pelo governo Trump revelou que o eleitorado brasileiro não veria as sanções como interferência externa, nem as vincularia a Flávio Bolsonaro, aliviando os temores da Casa Branca. Atualmente, a administração republicana divide-se entre alas que defendem apoio aberto a Flávio Bolsonaro — já recebido por Trump, JD Vance e Marco Rubio — e aquelas que preferem a cautela para não fechar portas com um eventual quarto governo Lula.
Enquanto isso, a pressão sobre o STF cresce também no Legislativo brasileiro. A oposição no Senado, liderada por Rogério Marinho, articula mudanças regimentais para retirar das mãos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o poder exclusivo de barrar pedidos de impeachment contra ministros da Suprema Corte, permitindo a abertura de processos com o apoio de 49 senadores.

