Escola de samba que homenageou Lula zomba de cristãos retratando família em lata de conserva; veja vídeo
Brasil – O Carnaval do Rio de Janeiro de 2026 ficará marcado por uma das maiores polêmicas religiosas e políticas dos últimos anos na Marquês de Sapucaí. A Acadêmicos de Niterói, estreando no Grupo Especial com um enredo inteiramente dedicado a enaltecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cruzou a linha da homenagem para entrar no campo da provocação direta ao levar para a avenida a ala intitulada “Neoconservadores em conserva”.
O Simbolismo da Discórdia
A ala que gerou o centro da crise trazia componentes fantasiados de latas de conserva gigantes. No rótulo da “embalagem”, a ilustração estampava o modelo da família tradicional — pai, mãe e dois filhos. De dentro das latas, emergiam figuras que a escola classificou como opositoras ao governo: fazendeiros, defensores do regime militar e, de forma explícita, evangélicos.
Para a agremiação, o setor representava grupos que “atravancam o progresso” e se opõem às pautas do atual governo. No entanto, para o público cristão e parlamentares de oposição, a metáfora foi recebida como uma tentativa de ridicularizar valores fundamentais e “enlatar” a fé de milhões de brasileiros como algo obsoleto e descartável.
Reação e Indignação
A repercussão foi imediata. Nas redes sociais, lideranças evangélicas classificaram a apresentação como “cristofobia recreativa”. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reagiu publicamente, definindo o desfile como um “escárnio que expõe a fé cristã” em busca de aplausos ideológicos.
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No Congresso, a bancada evangélica e membros do Partido Novo articularam medidas judiciais e administrativas. O foco das críticas recai não apenas sobre a estética do desfile, mas sobre o uso de recursos públicos. Questiona-se como uma homenagem direta a um presidente em exercício — com direito a ataques visuais a seus opositores — pôde ser financiada com repasses da Embratur e outros órgãos.
Enquanto o presidente Lula assistia a tudo do camarote oficial, sendo aplaudido por seus apoiadores, o clima na avenida era de divisão. Se por um lado a escola tentou construir uma narrativa de “esperança” e “operariado”, a escolha de atacar o segmento religioso criou um ruído que ofuscou o próprio enredo biográfico.
A estratégia da Acadêmicos de Niterói levanta um debate profundo sobre os limites da liberdade de expressão no Carnaval: até que ponto uma manifestação cultural pode satirizar símbolos familiares e religiosos sem que isso se torne um ato de intolerância institucionalizada?
Próximos Passos
As consequências do desfile prometem se estender para além da quarta-feira de cinzas:
No TCU: Tramitam representações para investigar o fluxo de caixa da agremiação.
No Judiciário: Ações por danos morais coletivos e propaganda eleitoral antecipada estão sendo avaliadas.
No Povo: A polarização ganha um novo capítulo, onde a Sapucaí deixou de ser o palco da união nacional para se tornar uma trincheira de guerra cultural.


