“Manda o PIX”: MPE aponta mensagens de supostos integrantes da campanha de Roberto Cidade a funcionários da Aadesam
Amazonas – Mensagens trocadas por aplicativo entraram no radar do Ministério Público Eleitoral (MPE) durante uma investigação que apura uma possível utilização de funcionários recém-contratados da Aadesam em atividades relacionadas à campanha de reeleição do governador Roberto Cidade.
Segundo os investigadores, pessoas que se apresentavam como integrantes da equipe de campanha teriam procurado trabalhadores contratados recentemente pela agência. Nas conversas, além do pedido de informações pessoais, eram solicitados dados bancários e eleitorais.
Em um dos diálogos, Yano Neves se identifica como integrante da equipe de Roberto Cidade e pede a uma funcionária o número do PIX e o preenchimento de um cadastro. Entre as informações solicitadas estavam o título de eleitor e a área onde a trabalhadora poderia atuar.

Outra conversa apresenta abordagem semelhante. Lucas Freire também afirma fazer parte da equipe do governador e solicita a uma funcionária da Aadesam informações para um cadastro, incluindo o PIX.
As contratações passaram a ser realizadas a partir de julho, depois da dispensa de um grupo de trabalhadores. O movimento chamou a atenção da Justiça Eleitoral, que posteriormente determinou a suspensão das novas contratações e dos pagamentos relacionados aos funcionários.
A investigação também levantou questionamentos sobre a origem dos pagamentos. Conforme os elementos reunidos no caso, os trabalhadores recebiam R$ 2 mil e os pagamentos passaram a ser realizados pela empresa KCC, apontada pelos investigadores como ligada a um integrante da estrutura de comando da Aadesam.
O caso ganhou novos capítulos com operações realizadas pela Polícia Federal por determinação da Justiça Eleitoral. Em uma das ações, os agentes estiveram na KCC e em uma agência de turismo que também é investigada por uma suposta relação com o recrutamento de funcionários para atividades de campanha.

Durante as diligências, foram apreendidos celulares, computadores e documentos que poderão ajudar a esclarecer como funcionava a estrutura investigada.
Outro episódio chamou a atenção dos investigadores dentro da própria Aadesam. Um computador utilizado pelo setor de Recursos Humanos teria sido encaminhado para manutenção no mesmo dia de uma das operações. O equipamento acabou localizado na sala de rede da associação e, segundo informações repassadas à investigação, apresentava problemas apontados como “corrupção” do sistema. O computador foi apreendido e deverá ser submetido à perícia.
Diante de possíveis descumprimentos de decisões judiciais, o Ministério Público Eleitoral pediu ainda o afastamento cautelar do presidente da Aadesam, William Alexandre Silva de Abreu.
Entre as determinações questionadas estão a suspensão das novas contratações, a regularização de situações envolvendo funcionários anteriormente demitidos, a interrupção de pagamentos e a divulgação das ordens judiciais.

O pedido de afastamento ainda aguarda análise do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas.
A investigação segue em andamento e deverá analisar documentos, mensagens, equipamentos e demais materiais apreendidos para esclarecer a eventual participação de cada envolvido.



