Escândalo em Caapiranga: prefeito Matulino Braz gasta R$ 1,5 milhão em lápis e borrachas comprados em supermercado
Amazonas – Quando o assunto é criatividade, a administração pública parece não ter limites. Um contrato que prevê R$ 1,5 milhão para a compra de apontador, borracha, cola, lápis e papel almaço virou motivo de espanto — e ironia — após vir à tona um detalhe curioso: a empresa vencedora tem como atividade principal o ramo de supermercados.
Sim, você leu certo A J.R.N.S Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, registrada sob o CNPJ 10.788.629/0002-82, atua oficialmente no setor alimentício, voltada para supermercados.
Ainda assim, foi a escolhida para fornecer materiais básicos de papelaria em um contrato milionário bancado com dinheiro público.
A pergunta que ecoa nos bastidores e nas redes sociais é inevitável: além de arroz e feijão, agora supermercado também vende lápis, borracha e papel almaço em escala industrial? Se vende, o estoque deve ser de impressionar qualquer atacadista do país.
O valor reservado chama atenção não apenas pelo montante, mas pela simplicidade dos itens.
São produtos que qualquer estudante compra com troco no bolso — mas que, juntos, alcançam cifras dignas de grandes obras públicas. Um verdadeiro milagre da multiplicação… de gastos.
Defensores alegam que se trata apenas de registro de preços, o que não significa gasto imediato.
Ainda assim, a escolha da empresa e o valor envolvido despertam dúvidas sobre critérios, prioridades e planejamento, além de reforçar a necessidade de fiscalização rigorosa.
Enquanto escolas enfrentam desafios estruturais e outras áreas essenciais aguardam investimentos, R$ 1,5 milhão para lápis e papel vira símbolo de um modelo de gestão que desafia a lógica popular — e, para muitos, também o bom senso.
No fim das contas, fica a reflexão irônica: se supermercado já fornece papelaria milionária, talvez em breve vejamos contratos de farmácia fornecendo asfalto ou padaria entregando computadores.
No serviço público, tudo é possível — principalmente quando o dinheiro não sai do próprio bolso.





