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Enquanto Renato Junior bota a mão na massa ao enviar ajuda aos sobreviventes na Venezuela, Roberto Cidade prefere se jogar no Boi-Bumbá

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Enquanto Renato Junior bota a mão na massa ao enviar ajuda aos sobreviventes na Venezuela, Roberto Cidade prefere se jogar no Boi-Bumbá

Amazonas – A política, em sua essência, é feita de símbolos, gestos e, acima de tudo, escolhas. Nos últimos dias, o cenário público amazonense testemunhou um dos contrastes mais gritantes de postura institucional dos últimos tempos.

De um lado, a liderança da capital, sob o comando do prefeito de Manaus, Renato Junior, mobilizou esforços práticos e imediatos para responder a uma grave tragédia humanitária na vizinha Venezuela. Do outro, o comando estadual, representado por Roberto Cidade, esteve imerso nas festividades do Festival Folclórico de Parintins, respondendo a cobranças urgentes com a lentidão de um clique de computador.

Enquanto os holofotes do Estado se voltavam para as cores e a disputa do Caprichoso e do Garantido, um cenário devastador se desenhava na Venezuela. O país vizinho foi atingido por dois fortes terremotos que deixaram milhares de desaparecidos sob os escombros.

A resposta internacional foi imediata, com o governo federal brasileiro despachando aviões cargueiros e equipes de resgate. No plano local, a gestão de Renato Junior em Manaus optou pelo pragmatismo da solidariedade e enviou um comboio de suprimentos.

O gesto de Manaus carrega um forte componente de justiça e reciprocidade histórica. Trata-se de uma retribuição moral ao apoio crucial que a Venezuela deu aos manauaras durante o colapso do sistema de saúde na pandemia da Covid-19, período em que o país vizinho forneceu oxigênio à capital.

“O que Manaus está fazendo é retribuir a ajuda da Venezuela no momento em que os manauaras mais precisaram”, afirmou o prefeito Renato Junior durante o embarque dos suprimentos.

A cobrança da imprensa sobre Roberto Cidade em Parintins expôs o abismo entre a urgência de uma catástrofe e a lentidão da máquina burocrática. Questionado sobre a participação do Estado na ajuda humanitária, o posicionamento oficial seguiu a linha da cautela protocolar.

“Já mandamos e-mail, já entramos em contato com a Venezuela e nós queremos mandar uma coisa que seja possível e que a gente possa ajudar de fato, sem querer fazer evento político e querer aproveitar um momento desse”, justificou Cidade.

Ação Executiva (Manaus): Envio imediato de 10 mil cestas básicas, 10 mil litros de água potável, 560 colchões e 300 kits de higiene.

Resposta Protocolar (Estado): Envio de um e-mail de contato para avaliar “o que seria possível mandar de fato”, sob a justificativa de evitar o uso político do evento.

A declaração do chefe do Executivo estadual disparou duras críticas de opositores e analistas, que apontaram falta de sensibilidade e lentidão administrativa diante de uma catástrofe que exige respostas imediatas.

A iniciativa da Prefeitura de Manaus também resgatou a memória da crise sanitária enfrentada pelo Amazonas em 2021, quando a Venezuela enviou oxigênio medicinal para auxiliar pacientes durante o colapso da rede de saúde pública. Segundo Renato Junior, a ajuda enviada agora representa uma retribuição à solidariedade demonstrada naquele período.


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