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Emenda Pix de Silas Câmara entra na mira do TCU após auditoria apontar indícios de irregularidades

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Emenda Pix de Silas Câmara entra na mira do TCU após auditoria apontar indícios de irregularidades

Amazonas – O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a abertura de novos procedimentos de apuração sobre a aplicação de recursos federais destinados ao município de Careiro, no Amazonas, após uma auditoria identificar indícios de irregularidades na execução de verbas enviadas por meio de emenda parlamentar para a área da saúde.

A decisão foi aprovada pelo Plenário da Corte e envolve a Emenda Parlamentar nº 202334960001, indicada pelo deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM), na modalidade conhecida como “Emenda Pix”, sistema que permite o repasse direto de recursos da União para estados e municípios.

A fiscalização teve como foco verificar se os valores foram aplicados de forma regular após a transferência ao município. Durante a análise, os auditores identificaram pontos que motivaram o aprofundamento das investigações.

Entre os principais achados estão suspeitas relacionadas a processos licitatórios conduzidos pela administração municipal e falhas nos mecanismos de controle, transparência e acompanhamento da execução financeira dos recursos.

Segundo o acórdão, foram encontrados indícios de superfaturamento nos Pregões Presenciais nº 8/2023, nº 12/2023 e nº 17/2023, todos vinculados à utilização dos recursos destinados ao setor da saúde.

Diante dos elementos levantados, o TCU determinou a instauração de uma Tomada de Contas Especial — procedimento utilizado para identificar responsáveis, calcular eventuais prejuízos ao erário e possibilitar futuras responsabilizações, caso sejam confirmadas irregularidades.

Além disso, foi aberta uma representação específica para aprofundar a análise técnica sobre os fatos apontados pela equipe de auditoria.

A decisão do tribunal não conclui, neste momento, pela existência de fraude ou desvio de recursos. O entendimento da Corte é de que os indícios encontrados justificam uma investigação mais detalhada.

A auditoria também apontou inconsistências no controle financeiro dos valores transferidos. Entre elas, o registro tardio de informações obrigatórias na plataforma Transferegov.br, utilizada para monitoramento das transferências federais.

Outro ponto identificado foi a realização de movimentações financeiras fora da conta específica destinada à execução da emenda, além do uso de uma mesma conta bancária para movimentar diferentes transferências especiais — prática que, segundo os auditores, dificulta o rastreamento dos recursos públicos e reduz a transparência da execução financeira.

As ocorrências levaram o TCU a recomendar mudanças na legislação para ampliar os mecanismos de controle sobre as chamadas transferências especiais, popularmente conhecidas como Emendas Pix.

O acórdão não atribui responsabilidade ao deputado federal autor da emenda. Conforme as regras dessa modalidade de transferência, cabe ao parlamentar indicar o destino dos recursos, enquanto a execução e aplicação ficam sob responsabilidade do ente beneficiado.

As investigações permanecem concentradas na forma como os recursos foram utilizados após o repasse e nos procedimentos administrativos adotados para contratação de serviços e aquisição de bens.

Com a abertura dos novos procedimentos, a apuração poderá avançar para etapas que incluem análise documental complementar, exame detalhado dos contratos, manifestação dos responsáveis e eventual quantificação de danos aos cofres públicos.

Caso sejam confirmadas irregularidades, os responsáveis poderão ser chamados a ressarcir valores e responder administrativamente perante os órgãos de controle.

A decisão também foi encaminhada à Controladoria-Geral da União (CGU), ao Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus), ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público do Amazonas (MPAM), que poderão adotar providências dentro de suas respectivas competências.

O caso amplia o debate sobre fiscalização, transparência e rastreabilidade dos recursos transferidos por meio das chamadas Emendas Pix, especialmente quando destinados a áreas essenciais como a saúde pública.


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