Em julgamento, Moraes diz que Marielle estava “peitando os interesses” da milícia; veja vídeo
Brasil – A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou, nesta quarta-feira (25), o julgamento dos acusados de mandar matar a ex-vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes em 2018.
O segundo dia de julgamento começou com o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes, que afirmou que os irmãos Domingos e João Francisco Brazão foram os mandantes dos assassinatos. Moraes destacou que a ex-vereadora estava “peitando os interesses de milicianos” à época da morte.
Segundo o ministro, os mandantes e executores do homicídio não se preocuparam com a repercussão do crime inicialmente, por preconceito em relação à condição social e racial da vítima.
“Marielle era uma mulher preta e pobre que estava peitando os interesses de milicianos. Na cabeça misógina e preconceituosa de mandantes e executores, quem iria ligar para isso? Uma cabeça de 100 anos, 50 anos atrás: ‘Ah, vamos eliminá-la e isso não terá repercussão’”, disse Moraes.
O relator citou ainda a delação do ex-sargento Ronnie Lessa, que afirmou que os mandantes não estavam preocupados com a repercussão do crime.
De acordo com a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR), os irmãos Brazão teriam encomendado o assassinato por interesses econômicos relacionados à regularização fundiária em áreas da zona oeste do Rio dominadas por milícias. Marielle teria entrado em conflito político com eles sobre projetos de uso do solo e urbanização.
Além da ex-vereadora, morreu também seu motorista, Anderson Gomes, que estava com ela no momento do ataque. A PGR afirma que os homicídios foram cometidos mediante promessa de recompensa aos executores, com o objetivo de proteger negócios imobiliários irregulares.
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