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Em grupo da OAB, advogado defende “cortar cabeças de bolsonaristas em praça pública

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Em grupo da OAB, advogado defende “cortar cabeças de bolsonaristas em praça pública

Brasil – Um episódio polêmico abalou o meio jurídico de Cáceres, no interior de Mato Grosso, após a divulgação de prints de uma conversa em um grupo de WhatsApp vinculado à subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O advogado Lindomar da Silva Rezende teria afirmado, em tom de acirrada discussão política, que “torce para que um dia possamos cortar cabeças de bolsonaristas em praça pública” e se colocado como “voluntário” para executar tal ato.

A mensagem, enviada na noite da quarta-feira (7 de janeiro de 2026), ocorreu em meio a um debate que teve início com o compartilhamento de uma notícia envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), relacionada ao uso de cotas parlamentares para custear viagens. Segundo relatos, a conversa rapidamente escalou para ofensas mútuas: o advogado teria chamado outro participante de “hipócrita do caralho” e usado expressões irônicas como “temos paninho para vender, caro Dr…”, antes de chegar à declaração mais grave.

A frase, que faz clara referência a violência política, gerou indignação entre advogados da região, especialmente por ter sido proferida em um ambiente associado à advocacia — uma profissão constitucionalmente comprometida com a defesa do Estado Democrático de Direito, da cidadania e da paz social.

Procurado por veículos locais e pela coluna do Metrópoles, Lindomar da Silva Rezende confirmou a autoria da mensagem, mas contextualizou o episódio como parte de uma “discussão acalorada” em que ambos os lados trocavam ofensas pesadas. Em nota enviada à reportagem, o advogado afirmou:

“Sim, eu postei a aludida mensagem em um grupo de advogados de Cáceres e região, no bojo de acirrada discussão política. No contexto em que foi enviada a mensagem em questão, participantes que se auto intitulam bolsonaristas também preferiam pesadas ofensas contra aqueles participantes que designam como ‘esquerdalha’. Os meus comentários foram postados nessa circunstância, em tom de galhofa e jamais como intuito de produzir ou reproduzir discursos de violência política.”

Ele destacou ainda que se tratava de um “grupo restrito a advogados” e disse preferir não transformar o caso em polêmica pública.

A OAB-MT, por sua vez, informou que, até o momento (9 de janeiro de 2026), não recebeu qualquer denúncia formal, reclamação ou pedido de abertura de procedimento ético-disciplinar relacionado ao episódio.

O caso reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão no exercício da advocacia e sobre a responsabilidade de profissionais do Direito em espaços privados que, ainda assim, carregam o peso da representação da classe. A declaração do advogado pode, em tese, aproximar-se da figura penal de incitação ao crime (art. 286 do Código Penal), embora o contexto de conversa fechada, o caráter de “brincadeira” alegado e a ausência de ampla publicidade possam influenciar eventual enquadramento ou arquivamento por parte do Ministério Público.

Lindomar da Silva Rezende, que já ocupou cargo público no município como coordenador do Procon de Cáceres, não comentou se pretende tomar alguma medida formal de retratação pública além da nota enviada à imprensa.


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