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Eleições 2026: Arthur Virgílio ‘pula do barco’ de Bolsonaro e vai pedir votos para Lula

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Eleições 2026: Arthur Virgílio ‘pula do barco’ de Bolsonaro e vai pedir votos para Lula

ManausA política tem memória e, no caso de Arthur Virgílio Neto, ela também tem arquivo pesado. Após se filiar ao MDB, o ex-senador agora ensaia um movimento que, até pouco tempo atrás, seria tratado como impensável nos bastidores de Brasília: atuar pedindo votos para Luiz Inácio Lula da Silva.

Sim, o mesmo Arthur Virgílio que construiu sua carreira nacional como um dos mais duros opositores de Lula e do PT.

Nos corredores do Congresso, o histórico não deixa margem para dúvidas. Em pleno auge do Escândalo do Mensalão, Arthur não economizava nas palavras. Em 2005, chegou ao ponto de ameaçar “dar uma surra” em Lula em meio a um discurso inflamado no Senado — episódio que virou símbolo do nível de tensão política da época.

Dez anos depois, já como prefeito de Manaus, manteve o tom. Em entrevista à TV Veja, em 2015, durante o governo Dilma Rousseff, voltou à carga: chamou o ambiente político ligado ao PT de “chaga”, disse ter “pena” de eleitores influenciados por programas sociais e cravou que Lula “já era politicamente”.

Não era retórica isolada. Era linha de atuação.

Agora, duas décadas depois do auge desse embate, o roteiro muda, e muda com força. Nos bastidores, aliados já tratam como certo que, em troca de apoio para disputar a vaga para deputado Federal, Arthur deve entrar na campanha de 2026 como cabo eleitoral de Lula no Amazonas, alinhado ao grupo de Eduardo Braga, senador que é hoje um dos principais nomes do MDB no País, e que também é aliado do senador Omar Aziz, filiado ao PSD, e é pré-candidato ao governo do Amaonas em 2026.

A guinada é tão brusca que incomoda até antigos aliados. Afinal, não se trata apenas de mudar de partido, algo comum na política brasileira, mas de atravessar uma linha histórica que o próprio Arthur ajudou a desenhar.

E tem mais: o discurso de “rompimento com Bolsonaro” também entra nesse pacote. Embora nunca tenha sido exatamente um bolsonarista raiz, Arthur flertou com setores da direita nos últimos anos e evitou confrontos diretos com Jair Bolsonaro em momentos estratégicos, chegando a pedir voltos para os ex-presidente em 2022, em troca de apoio eleitoral. Agora, após as últimas derrotas, Arthur tenta se reposicionar no campo oposto, mas junto aos grendes caciques do Amazonas.

Nos bastidores, a leitura é simples e direta: 2026 exige sobrevivência política e, nesse jogo, antigas convicções costumam perder espaço para novas alianças. O ponto mais sensível, porém, continua sendo o histórico. Caso confirme o apoio, Arthur Virgílio não estará apenas mudando de lado. Estará pedindo votos para o mesmo líder político que, por anos, tratou como símbolo de tudo o que combatia. Na política, isso tem nome e não é exatamente novidade.


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