Disputa em associação de militares do Amazonas expõe clima de insatisfação e desconfiança às vésperas de eleição

Manaus – À medida que se aproxima o dia 28 de março, data marcada para a eleição da diretoria executiva da Associação das Praças da Polícia e Bombeiro Militar do Amazonas (APPBMAM), cresce dentro da corporação um clima de incerteza, tensão e questionamentos sobre os rumos da entidade.
Considerado um dos pleitos mais disputados dos últimos anos, o processo eleitoral ocorre em meio a um cenário de desgaste do atual grupo político, que está à frente da associação há cerca de 11 anos, com alternância entre seus integrantes nos principais cargos de direção. Nos bastidores, relatos de policiais ouvidos pela reportagem apontam para um sentimento de descrédito e insatisfação com a condução da entidade.
Entre as principais críticas estão a falta de transparência no processo eleitoral e a percepção de uma atuação considerada tímida diante de demandas históricas da categoria. Questões como melhores condições de trabalho, valorização salarial e maior firmeza nas negociações com o poder público aparecem como pontos centrais das cobranças feitas por parte da tropa.
Proximidade com o governo
A tensão ganhou novos contornos nos últimos dias após a circulação de informações envolvendo o atual presidente da APPBMAM, sargento Igo Silva. Segundo relatos que circulam entre os policiais, a esposa do dirigente estaria lotada na Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-AM). Para uma ala crítica da corporação, a situação levanta questionamentos sobre uma possível proximidade pessoal do presidente com o governo estadual e a cúpula da segurança pública.

Embora não haja confirmação de irregularidades, a percepção entre alguns policiais é de que essa suposta relação poderia comprometer a independência da entidade, especialmente em momentos que exigiriam uma postura mais firme e combativa na defesa dos interesses da categoria.

Eleição decisiva
Diante desse cenário, a eleição do próximo dia 28 assume um caráter decisivo. Mais do que a escolha de uma nova diretoria, o pleito é visto como um termômetro do nível de confiança da tropa em sua principal entidade representativa.
A expectativa é de alta participação dos policiais, em um processo que pode redefinir o equilíbrio de forças dentro da associação e indicar se haverá continuidade ou ruptura na condução política da entidade. Para muitos dentro da corporação, o resultado das urnas poderá sinalizar novos caminhos ou a manutenção de um modelo que, para parte da tropa, já dá sinais de esgotamento.








