Dias Toffoli decide se afastar de todos os processos ligados ao caso Master no STF
Brasil – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, comunicou aos seus colegas de Corte a decisão de se retirar de todos os julgamentos e processos que envolvam o chamado “caso Master”. O afastamento ocorre em meio a uma escalada de pressões internas e externas sobre o tribunal.
O recuo de Toffoli foi motivado pela recente revelação de ligações de negócios entre a sua família e o banqueiro Daniel Vorcaro, que é alvo de investigações da Polícia Federal (PF). Tornou-se público que um fundo administrado pelo grupo de Vorcaro virou sócio de um resort controlado por familiares do ministro. Desde que assumiu a relatoria do inquérito em novembro, Toffoli vinha sendo alvo de questionamentos, que se intensificaram após a divulgação desses laços empresariais.
A postura de distanciamento já havia sido adotada na última quarta-feira (11). Alegando suspeição por motivo de foro íntimo, o ministro não participou da decisão que analisou a manutenção da prisão de Vorcaro, detido em Brasília. Na mesma data, ele também abriu mão de decidir sobre o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do caso Master na Câmara dos Deputados.
Para justificar a decisão a assessores, Toffoli explicou que recusou a relatoria da CPI para afastar qualquer narrativa de que estaria agindo para proteger a si próprio ou ao STF. Com a sua saída, o caso da comissão parlamentar foi redistribuído para o ministro Cristiano Zanin, que decidiu por rejeitar a sua criação.
De acordo com o próprio ministro, não existe nenhum impedimento formal ou legal que o obrigue a deixar o caso. Em um despacho recente, ele chegou a frisar que, em processos da Operação Compliance Zero — investigação sobre fraudes bilionárias ligada ao caso —, qualquer hipótese de suspeição já havia sido “definitivamente afastada” por decisão transitada em julgado.
No entanto, a escolha pela suspeição preventiva e contínua foi a saída encontrada por Toffoli para tentar estancar a crise de imagem no Supremo Tribunal Federal. Ao comunicar que adotará a mesma postura de afastamento em todas as situações futuras relacionadas ao caso, o ministro tenta blindar a instituição e garantir que não pairem dúvidas sobre a imparcialidade dos julgamentos da Corte.


