Despreparo: Maria do Carmo mostra desconhecer competência federal ao dizer que vai “resolver” a BR-319 caso seja governadora

Amazonas – A pré-candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo Seffair, voltou a demonstrar desconhecimento sobre o funcionamento da administração pública ao prometer, durante entrevista, que irá “tirar a BR-319 do estado em que se encontra” caso seja eleita governadora.
Na declaração, Maria do Carmo afirmou que concentrará esforços para garantir o asfaltamento da rodovia e disse que assumiu o compromisso de fazer a obra, chegando a afirmar que “não vai ter quem pare essa BR”.
A fala, no entanto, ignora um ponto básico da estrutura federativa brasileira: a BR-319 é uma rodovia federal, ou seja, sua responsabilidade direta é do governo federal, por meio de órgãos como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e do Ministério dos Transportes.
Isso significa que a execução de obras estruturais, como asfaltamento e reconstrução da via, não depende do governo do estado, mas sim de decisões técnicas, licenciamento ambiental e recursos da União.
Na prática, um governador pode até articular politicamente, pressionar ou buscar apoio institucional, mas não tem poder administrativo para simplesmente determinar a pavimentação de uma rodovia federal. Caso fosse tão simples resolver a situação da BR-319 apenas com vontade política local, o problema já teria sido solucionado há muitos anos.
A recuperação da rodovia, que liga Manaus a Porto Velho, enfrenta uma longa disputa envolvendo licenciamento ambiental, decisões técnicas e debates dentro do governo federal.
Nesse cenário, quem tem se posicionado de forma constante na defesa da rodovia é o senador Eduardo Braga. No Senado Federal, Braga tem utilizado reiteradamente seu espaço para cobrar do governo federal soluções para a BR-319 e defender o direito do amazonense de ir e vir.
O parlamentar também já cobrou publicamente a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, para que o processo de licenciamento avance.
A BR-319 se tornou, ao longo dos anos, um dos principais símbolos do isolamento logístico do Amazonas. Por isso, promessas simplistas ou declarações que ignoram a divisão de competências entre União, estados e municípios acabam contribuindo mais para o discurso político do que para a solução real do problema.
Mais do que promessas de campanha, o debate sobre a rodovia exige articulação institucional séria, diálogo com o governo federal e respeito às competências estabelecidas pela Constituição.
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